segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Paura

São quase duas da manhã e não tenho sono. Um pensamento recorrente explode em meu cérebro; preciso colocá-lo para fora, mas não sei como. Quero externá-lo, mas acho que já o esqueci. Não sei explicar... é como se a cabeça fosse mais pesada do que o que o pescoço pode agüentar. Como uma novidade que esqueci de contar e que talvez, por isso, tenha perdido seu efeito. Minha mente me confunde e não consigo encontrar o pensamento que me aflige. Mas é só parar de pensar e ele aparece.

Essa não é a primeira vez que isso acontece e isso me deixa bastante nervoso. Quando tento me concentrar, as palavras me abandonam. Será que é apenas um sonho ou algo que aconteceu há muito tempo? Será que é aquilo que Freud chama de lembranças encobridoras? Mas, nesse caso, eu deveria ter, ao menos, algum pensamento que me fizesse esquecer aquilo que tento lembrar.

Talvez não consiga colocá-lo para fora porque tenho medo. Tenho medo dos meus pensamentos, de minhas idéias. Medo daquilo que penso e que talvez não seja justo. Medo do que creio ter razão, pois talvez o que eu creia não seja tão racional assim. Medo do que escuto e do que digo por que não tenho certeza se o que digo é o que realmente penso. Tenho medo dos meus pensamentos por que eles não escondem quem eu esqueci que sou.

Um comentário:

Madame Bovary disse...

Como nos diz Drummond...

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.