terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Mini conto kafkiano

Quase nunca Deus, ou quem quer que tenha forjado esse mundo, escuta nossas preces. Ou, se o faz, faz no momento errado, quando o desejo não é mais tão forte ou quando não é mais possível se alegrar com ele. Naquela noite, aproximei-me da igreja com suspeita e, como sempre, apresentei meus pedidos a Deus. Há tanto tempo que pedia, que eu não sabia mais o que oferecer em troca. Voltei para casa e rezei até o amanhecer, e fiz isso com fervor. Eu queria uma coisa, apenas uma coisa e Ele sabia o que era... Quando ela chegou, fiquei mais assustado do que contente. Há tanto tempo a havia pedido ao meu Deus, e há tanto tempo ela me havia sido negado... No entanto, agora pude ver seu rosto. Talvez seja aquilo que dizem no ditado sobre Deus escrever certo por linhas tortas ou sobre Ele saber o que faz... Por uma vida inteira acreditei merecer o Paraíso, mas o monstro que recebi em atendimento às minhas súplicas não pode ter vindo de outro lugar senão do Inferno.

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