Não estou lá


Tantas faces diversas. Tantas fases diversas. Tantos modos complementares de contar a mesma personalidade artística sem cair na hagiografia, mas também sem perder aquele aspecto de espiada pelo buraco da fechadura, pela qual se podem ver segredos inconfessáveis. Uma teia de tramas coerente e plena de citações nem sempre fáceis de serem decifradas. Todas essas características podem ser aplicadas tanto ao filme “Não estou lá” (I’m not there, EUA, 2007), de Todd Haynes, como ao menestrel Bob Dylan.

O título o filme já dá uma idéia do paradoxo: Bob Dylan não está no filme baseado em... Bob Dylan. Trata-se da tentativa de representar numa experiência emotiva e sensorial a sua trajetória na vida, seus humores e suas canções. Não é sem motivo que no filme há seis personagens a encarná-lo nas diversas fases de sua existência, cada um com um nome diferente, a compor uma espécie de biografia anômala e coral que reflete a alma controversa de um homem inquieto e fragmentado.

Cada avanço ou retrocesso no tempo da narrativa adota um estilo de acordo com as fases/faces de Dylan: multicolorido e esculpido quando o astro egoísta se compraz do dinheiro e do sucesso (e ignora a mulher); psicodélico e burlesco nos momentos de sua imersão na Londres beatlemaníaca; ou mesmo surreal no segmento em que Richard Gere se traveste de Billy the Kid. Embora haja um inevitável envolvimento do expectador, alguns elementos fazem com que o filme, de forma semelhante com o que acontece com a música de Dylan, com que o filme se distancie de um entretenimento com o qual seja fácil a identificação.

Bob Dylan percebeu o quanto era necessário uma evolução artística para ele e soube que não poderia se limitar por aquilo que seus fãs aguardavam ou pediam. E por não ter se comprometido com qualquer filosofia estética específica, tanto por seus fãs ou por seus críticos, tornou-se livre para fazer o que quer que desejasse como artista.

Mais do que tentar apresentar quem foi Bob Dylan, a preocupação maior de Haynes, o diretor, parece ser a de apresentar a recusa de Dylan em se conformar a um padrão – seja a uma única identidade, seja a um modelo pré-estabelecido de gênero musical. O filme, tão enigmático como aquele que o inspirou, parece não se ater a qualquer verdade real ou imaginária, mas ao invés prefere explorar o modo como projetamos nossa própria expectativa sobre aqueles que se colocam diante da opinião pública.

Ao invés de proporcionar apenas uma porção limitada do assunto, instruindo o expectador como prestar atenção e tirar conclusões sobre o que eles acreditam ser o significado de tudo, tanto o filme de Haynes como a obra de Dylan permitem e deixam com que o expectador (ou o ouvinte) decida aquilo que é importante e o que não é.

O andamento irregular, as transições desordenadas, as sobreposições dentro da mesma seqüência, as inserções surrealistas, o simbolismo por trás das críticas e mesmo a trilha sonora fora de ordem cronológica, transportam para o cinema o lirismo, a complexidade, a fragmentação, os saltos lógicos e acima de tudo atestam a relevância de conter nos créditos a informação “letras e músicas de Bob Dylan”.


Radiohead, lista dos 5 mais

The Bends, 1995

Se "Pablo Honey" é considerado por alguns uma estréia meio "verde" e indecisa, com apenas uma canção que justifica a aquisição do álbum ("Creep"), "The Bends" marca a virada artística decisiva do grupo e, em particular, de seu instável líder, Thom Yorke. Com canções contemporaneamente evocativas que traduzem perfeitamente a temática do álbum, o segundo trabalho do Radiohead impressiona por suas unidade e qualidade sonora. O som tornou-se muito mais pessoal e facilmente reconhecível, com a extraordinária mistura das três guitarras de O'Brien, Yorke e Jonny Greenwood. Um ótimo exemplo desse novo e invejável rigor estilístico está na fantástica "Fake plastic trees", em que Thom & Cia observam com desgosto as muitas anomalias de uma sociedade supostamente avançada e direcionam sua feroz crítica ao sistema. A elegíaca "Nice dream" e a faixa que empresta nome ao título do disco são denúncias contra o estilo de vida artificial e sujeito aos ditames da moda. Um disco para quem quer ouvir e pensar.

O.K. Computer, 1997

Após três longos anos de espera desde o fantástico "The Bends", a banda retorna com um álbum empolgante e definitivo; uma confirmação extraordinária da genialidade do líder Yorke e inquietante baluarte para os futuros trabalhos do grupo, que a partir de então se torna proprietário de um estilo único. Na verdade, talvez a única pequena imperfeição dessa indiscutível obra de arte é a sua uniformidade, um bloco de melancolia desesperada que arrasta o ouvinte para um interminável vórtice no qual é "masoquísticamente" agradável se perder. "OK computer" é um disco poderosamente original, capaz de misturar elementos de rock progressivo (como o do Pink Floyd) e música eletrônica e experimental (como a do Velvet Underground) e ainda assim obter uma mistura inédita e irresistível, o que pode ser conferido nas já épicas "Paranoid android", "Karma police" e "No surprises". Um manifesto da perplexidade e estranhamento do humano diante da modernidade cada vez mais intrusiva e reificante (não por acaso uma das canções do disco – "Fitler happier" – teoriza como seria uma música interpretada por um computador, totalmente privada de emoções, de sentimentos...). Trata-se, desde o início, de um dos maiores, senão o maior, testemunho artístico do pôr-do-sol (metafórico ou não) da virada do milênio.

Kid A, 2000

Para o Radiohead parece haver uma impossibilidade de ser normal. Após muita espera, várias revisões e contínuos ajustes em estúdio e pesquisa com sons, eis que surge finalmente a criatura: "Kid A". O trabalho é formado quase completamente de sons sombrios, tétricos, indolentes e mesmo aqueles que normalmente são definíveis como canções soam como projetos destinados a assumir outras formas. A primeira audição é angustiante: as linhas clássicas melódicas são praticamente ausentes ou aparecem aqui e ali (como, por exemplo, na faixa de abertura "Everything in its right place" ou na melancólica e linda "How to disappear completely"). Outras vezes, tem-se a impressão de que existe uma tentativa de obter linearidade ("In limbo"), mas, que ela vem expressamente alheia à vontade do grupo, o qual parece disposto a abolir o refrão a todo custo. Ousado e sem precedentes, "Kid A" deixa uma sensação de escassez e secura quase visível e tocável, que pouquíssimos teriam coragem de colocar em cena após um sucesso mundial como "O.K. Computer". "Kid A" talvez seja como uma criança, que nasce sem passado e raízes num cenário de tragédia iminente (quem sabe, talvez a tragédia da modernidade).

Hail To The Thief, 2003

O Radiohead representa, na minha opinião, a encarnação de um sentimento de surpresa e estranhamento; eles são capazes de, a cada novo trabalho, trilhar caminhos diferentes como poucos grupos tiveram coragem de fazer em toda a história da música; capazes de se manter acima de modismos e de dominar com um olhar lúcido e claro a paisagem circundante. A expectativa, na época de lançamento, era de que esse disco sinalizasse um retorno às atmosferas etéreas e rarefeitas de "O.K. Computer", ainda mais após a corajosa publicação dos álbuns gêmeos "Kid A"/"Amnesiac". No entanto, quem esperou por uma reiteração de um discurso prévio ou na repetição de uma fórmula, não encontrou mais que insatisfação. O elemento eletrônico ainda está presente, mas de uma forma muito distinta do dance intelectual de "Kid A". Aqui esse elemento é utilizado na construção de temas quebrados, como na conturbante "Backdrifts", rica em reverberação e sons cósmicos (que remetem, de certa forma, ao som do Kraftwerk) e contornada por ruídos ao fundo que criam de tempo em tempo uma atmosfera fantasmagórica: um conjunto de sinos e teclados que cobrem a canção como um manto. Ainda que a banda não confirme correlação direta, o título do álbum vem de uma frase que acompanhou sarcasticamente a ascensão ao papel de presidente dos EUA de George W. Bush, em 2000, quando ele foi acusado pelos democratas e pela esquerda americana de fraude eleitoral. Essa insatisfação diante desse momento pode ser sentida na faixa de abertura, "2+2=5", em que o descompasso se faz presente já na introdução com uma batida urgente que não se encaixa com o doce dedilhado da guitarra e que em determinado momento se torna uma corrida raivosa e cadenciada pelo canto nervoso de Yorke, num rock quase punk que descarta qualquer hipótese de rima ou refrão. "Hail to the thief" é um álbum excelente, com uma unidade sonora impressionante (embora a sensação rítmica às vezes soe chocante) e constitui a demonstração de uma ética musical que fez da experimentação sua linguagem única: capazes de passar, em dez anos, do pop de "Pablo Honey" à pscodelia de "O.K. Computer" até a definição de um estilo verdadeiro e único. "Hail to the Thief" é mais acessível do que "Kid A", mas não dá para apreciá-lo numa única audição; trata-se de um álbum para ser estudado, entendido, analisado e vivido em todas as suas múltiplas facetas.

In Rainbows, 2007

Pelo tanto que já se falou deste disco desde que foi lançado – palavras ditas e escritas, reais, a respeito de um projeto baseado na virtualidade; afinal este é o primeiro álbum de um grupo importante comercializado inteiramente via Internet – que a discussão sobre o "como" tornou obscuro o debate sobre "o quê", sobre a qualidade intrínseca da música. Agora que a poeira parece ter assentado e após o disco ter sido lançado na forma mais tradicional, é possível analisar a questão musical. Como já se tornou rotina no que diz respeito ao Radiohead, a música continua de altíssima qualidade. Apesar de sempre haver aquela inevitável comparação com os discos anteriores, pode-se dizer que os músicos retornam para mais um trabalho em que demonstram o porquê de formarem uma das bandas mais influentes da música atual. Em todas as dez faixas do disco há um senso de urgência de concretização, de um rock tanto pulsante quanto intelectual, que agrada e impulsiona. Todas as canções se caracterizam pela pesquisa experimental, mas sempre com uma jovialidade que se torna dominante em faixas como "Bodysnatchers", ou insinuante como o toque de harpas em "Weird fishes (Arpeggi!)", ou ainda com a cadência sedutora de "All I need". Os sons são sombrios mas límpidos, a voz é quente, privada daquela espécie de tensão presente, por exemplo, em "Amnesiac". E o melhor de tudo, são canções "rodáveis"/"executáveis", porque já foram pensadas para execução ao vivo, e não como matéria de laboratório aberta a infinitas experimentações. Dessa forma, trata-se de um álbum concreto que, no início, foi vendido de forma imaterial; mais uma bela contradição do Radiohead.

The Nightmare Before Christmas - O poema original

Tim Burton















It was late one fall in Halloweenland,
and the air had quite a chill.
Against the moon a skeleton sat,
alone upon a hill.
He was tall and thin with a bat bow tie;
Jack Skellington was his name.
He was tired and bored in Halloweenland

"I'm sick of the scaring, the terror, the fright.
I'm tired of being something that goes bump in the night.
I'm bored with leering my horrible glances,
And my feet hurt from dancing those skeleton dances.
I don't like graveyards, and I need something new.
There must be more to life than just yelling,
'Boo!'"

Then out from a grave, with a curl and a twist,
Came a whimpering, whining, spectral mist.
It was a little ghost dog, with a faint little bark,
And a jack-o'-lantern nose that glowed in the dark.
It was Jack's dog, Zero, the best friend he had,
But Jack hardly noticed, which made Zero sad.

All that night and through the next day,
Jack wandered and walked.
He was filled with dismay.
Then deep in the forest, just before night,
Jack came upon an amazing sight.
Not twenty feet from the spot where he stood
Were three massive doorways carved in wood.
He stood before them, completely in awe,
His gaze transfixed by one special door.
Entranced and excited, with a slight sense of worry,
Jack opened the door to a white, windy flurry.

Jack didn't know it, but he'd fallen down
In the middle of a place called Christmas Town!
Immersed in the light, Jack was no longer haunted.
He had finally found the feeling he wanted.
And so that his friends wouldn't think him a liar,
He took the present filled stockings that hung by the fire.
He took candy and toys that were stacked on the shelves
And a picture of Santa with all of his elves.
He took lights and ornaments and the star from the tree,
And from the Christmas Town sign, he took the big letter C.

He picked up everything that sparkled or glowed.
He even picked up a handful of snow.
He grabbed it all, and without being seen,
He took it all back to Halloween.

Back in Halloween a group of Jack's peers
Stared in amazement at his Christmas souvenires.
For this wondrous vision none were prepared.
Most were excited, though a few were quite scared!

For the next few days, while it lightninged and thundered,
Jack sat alone and obsessively wondered.
"Why is it they get to spread laughter and cheer
While we stalk the graveyards, spreading panic and fear?
Well, I could be Santa, and I could spread cheer!
Why does he get to do it year after year?"
Outraged by injustice, Jack thought and he thought.
Then he got an idea. "Yes. . .yes. . .why not!"

In Christmas Town, Santa was making some toys
When through the din he heard a soft noise.
He answered the door, and to his surprise,
He saw weird little creatures in strange disguise.
They were altogether ugly and rather petite.
As they opened their sacks, they yelled, "Trick or treat!"
Then a confused Santa was shoved into a sack
And taken to Halloween to see mastermind Jack.

In Halloween everyone gathered once more,
For they'd never seen a Santa before
And as they cautiously gazed at this strange old man,
Jack related to Santa his masterful plan:
"My dear Mr. Claus, I think it's a crime
That you've got to be Santa all of the time!
But now I will give presents, and I will spread cheer.
We're changing places I'm Santa this year.
It is I who will say Merry Christmas to you!
So you may lie in my coffin, creak doors, and yell, 'Boo!'
And please, Mr. Claus, don't think ill of my plan.
For I'll do the best Santa job that I can."

And though Jack and his friends thought they'd do a good job,
Their idea of Christmas was still quite macabre.
They were packed up and ready on Christmas Eve day
When Jack hitched his reindeer to his sleek coffin sleigh,
But on Christmas Eve as they were about to begin,
A Halloween fog slowly rolled in.
Jack said, "We can't leave; this fog's just too thick.
There will be no Christmas, and I can't be St. Nick."
Then a small glowing light pierced through the fog.
What could it be?. . .It was Zero, Jack's dog!

Jack said, "Zero, with your nose so bright,
Won't you guide my sleigh tonight?"

And to be so needed was Zero's great dream,
So he joyously flew to the head of the team.
And as the skeletal sleigh started its ghostly flight,
Jack cackled, "Merry Christmas to all, and to all a good night!"

'Twas the nightmare before Christmas, and all though the house,
Not a creature was peaceful, not even a mouse.
The stockings all hung by the chimney with care,
When opened that morning would cause quite a scare!
The children, all nestled so snug in their beds,
Would have nightmares of monsters and skeleton heads.
The moon that hung over the new-fallen snow
Cast an eerie pall over the city below,
And Santa Claus's laughter now sounded like groans,
And the jingling bells like chattering bones.
And what to their wondering eyes should appear,
But a coffin sleigh with skeleton deer.
And a skeletal driver so ugly and sick
They knew in a moment, this can't be St. Nick!
From house to house, with a true sense of joy,
Jack happily issued each present and toy.
From rooftop to rooftop he jumped and he skipped,
Leaving presents that seemed to be straight from a crypt!
Unaware that the world was in panic and fear,
Jack merrily spread his own brand of cheer.

He visited the house of Susie and Dave;
They got a Gumby and Pokey from the grave.
Then on to the home of little Jane Neeman;
She got a baby doll possessed by a demon.
A monstrous train with tentacle tracks,
A ghoulish puppet wielding an ax,
A man eating plant disguised as a wreath,
And a vampire teddy bear with very sharp teeth.

There were screams of terror, but Jack didn't hear it,
He was much too involved with his own Christmas spirit!
Jack finally looked down from his dark, starry frights
And saw the commotion, the noise, and the light.
"Why, they're celebrating, it looks like such fun!
They're thanking me for the good job that I've done."
But what he thought were fireworks meant as goodwill
Were bullets and missiles intended to kill.
Then amidst the barrage of artillery fire,
Jack urged Zero to go higher and higher.
And away they all flew like the storm of a thistle,
Until they were hit by a well guided missile.
And as they fell on the cemetery, way out of sight,
Was heard, "Merry Christmas to all, and to all a good
night."

Jack pulled himself up on a large stone cross,
And from there he reviewed his incredible loss.
"I thought I could be Santa, I had such belief"
Jack was confused and filled with great grief.
Not knowing where to turn, he looked toward the sky,
Then he slumped on the grave and he started to cry.
And as Zero and Jack lay crumpled on the ground,
They suddenly heard a familiar sound.

"My dear Jack," said Santa, "I applaud your intent.
I know wreaking such havoc was not what you meant.
And so you are sad and feeling quite blue,
But taking over Christmas was the wrong thing to do.
I hope you realize Halloween's the right place for you.
There's a lot more, Jack, that I'd like to say,
But now I must hurry, for it's almost Christmas day."
Then he jumped in his sleigh, and with a wink of an eye,
He said, "Merry Christmas," and he bid them good bye.

Back home, Jack was sad, but then, like a dream,
Santa brought Christmas to the land of Halloween.

the end

O poema interpretado pelo ator Patrick Stewart






How to disappear completely

Radiohead


That there
Thats not me
I go
Where I please
I walk through walls
I float down the liffey
Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here

In a little while
Ill be gone
The moments already passed
Yeah its gone
And Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here

Strobe lights and blown speakers
Fireworks and hurricanes
Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here

Merda acontece!

Existe um ditado inglês que diz: "Shit happens". Ele é usado sempre que algo ruim acontece e não se pode fazer muita coisa a respeito. Abaixo está uma quase completa lista ideológica e religiosa.

Taoísmo: merda acontece.
Confucionismo: Confúcio diz, “merda acontece”.
Budismo: se merda acontece, não é realmente uma merda.
Budismo Zen: merda é, e não é.
Budismo Zen 2: qual é o som da merda acontecendo?
Hinduismo: esta merda já aconteceu antes.
Islamismo: se merda acontece, é porque é a vontade de Alá.
Islamismo2: se merda acontece, mate a pessoa responsável.
Islamismo3: se merda acontece, a culpa é de Israel.
Catolicismo: se merda acontece, é porque você mereceu.
Protestantismo: deixe que a merda aconteça a outra pessoa.
Presbiterianos: esta merda tinha que acontecer.
Episcopais: não é tão ruim que a merda aconteça, desde que você sirva o vinho certo com ela.
Metodistas: não é tão ruim que a merda aconteça, desde que você sirva suco de uva com ela.
Luteranos: se a merda acontecer, não fale a respeito.
Fundamentalismo: se merda acontecer, você vai para o inferno, a não ser que você nasça novamente. (Amém!)
Fundamentalismo 2: se a merda acontecer para um cristão, está tudo bem.
Fundamentalismo 3: a merda deve renascer.
Judaísmo: por que essa merda acontece sempre com a gente?
Calvinismo: a merda acontece porque a gente não trabalha.
Adventistas do sétimo dia: merda nenhuma acontecerá no sábado.
Criacionismo: Deus fez toda a merda.
Humanismo secular: a merda se desenvolve.
Ciência cristã: quando a merda acontecer, não chame um médico: reze!
Ciência cristã 2: a merda que acontece está apenas em sua mente.
Unitarismo: vamos juntos pensar nessa merda.
Quakers: não briguemos por essa merda.
Utopistas: está merda não fede.
Darwinistas: está merda um dia já foi comida.
Capitalismo: esta é a MINHA merda.
Comunismo: a merda é de todos.
Feminismo: homens são a merda.
Chovinistas: podemos ser uma merda, mas vocês não vivem sem a gente...
Comerciantes: vamos embalar essa merda.
Impressionismo: à distância, a merda parece um jardim.
Idólatra: a merda merece uma estátua de bronze.
Existencialismo: a merda não acontece; a merda É.
Existencialismo 2: o que é merda, afinal?
Estóico: esta merda é boa para mim.
Hedonismo: nada é melhor que uma boa merda acontecendo.
Mórmons: Deus nos enviou esta merda!
Mórmons: esta merda vai acontecer de novo.
Wicca: se não fizer mal a ninguém, deixe que a merda aconteça.
Cientologia: se a merda acontecer, leia a página 157 da “Dianética”.
Testemunhas de Jeová: toc, toc, merda acontece.
Testemunhas de Jeová 2: poderíamos tomar um pouquinho do seu tempo para mostrar um pouco na nossa merda?
Testemunhas de Jeová 3: a merda foi profetizada, apenas os justos e escolhidos sobreviverão.
Hare krishna: merda acontece, rama rama.
Rastafaris: vamos fumar essa merda.
Zoroastrismo: a merda acontece a metade do tempo.
Práticos: lide com a merda um dia por vez.
Agnósticos: a merda pode ter acontecido; ou talvez não.
Agnósticos 2: alguém fez merda?
Agnósticos 3: que merda é essa?
Ateísmo: que merda?
Ateísmo 2: não acredito nessa merda.
Satanismo: ECETNOCA ADREM.

Reformat The Planet


BLIP FESTIVAL: REFORMAT THE PLANET trailer from 2 Player Productions on Vimeo.

Sabe quando você assiste um filme e fica pensando "Putz! Que filme bacana!"? Essa foi a sensação que tive quando vi o filme "Reformat the planet". Trata-se de um dos filmes mais surpreendentes do ano. É um documentário muito bem filmado e tudo gira em torno de música eletrônica (chiptune music ou, ainda, música de chip), games, performers e gameboys!

É difícil imaginar a Nintendo pensando que pessoas poderiam “hackear” seus Gameboys para criar concertos musicais – concertos que seriam inspiração para um documentário e para um gênero musical totalmente novo.

Por uma semana, é possível assistir este filme no site Pitchfork.tv. Ele foi dividido em capítulos e ajustado para que o tempo de loading não seja muito demorado.

Se você cresceu jogando em Nintendo 8 bits ou Gameboy vai se ver batendo o pé ao ritmo da música ao longo de todo o filme. Isso sem falar daquele sentimento – um misto de nostalgia e alegria repentina – que é difícil de explicar, mas que faz brotar um sorriso no canto da boca e dizer: “Putz! Que filme bacana!”.

Radiohead - In Rainbows

Pelo tanto que já se falou deste disco desde que foi lançado – palavras ditas e escritas, reais, a respeito de um projeto baseado na virtualidade; afinal este é o primeiro álbum de um grupo importante comercializado inteiramente via Internet – que a discussão sobre o “como” tornou obscuro o debate sobre “o quê”, sobre a qualidade intrínseca da música.

Agora que a poeira parece ter assentado e após o disco ter sido lançado na forma mais tradicional, é possível analisar a questão musical. Como já se tornou rotina no que diz respeito ao Radiohead, a música continua de altíssima qualidade. Apesar de sempre haver aquela inevitável comparação com os discos anteriores, pode-se dizer que os músicos retornam para mais um trabalho em que demonstram o porquê de formarem uma das bandas mais influentes da música atual. Em todas as dez faixas do disco há um senso de urgência de concretização, de um rock tanto pulsante quanto intelectual, que agrada e impulsiona.

Todas as canções se caracterizam pela pesquisa experimental, mas sempre com uma jovialidade que se torna dominante em faixas como “Bodysnatchers”, ou insinuante como o toque de harpas em “Weird fishes (Arpeggi!)”, ou ainda com a cadência sedutora de “All I need”. Os sons são sombrios mas límpidos, a voz é quente, privada daquela espécie de tensão presente, por exemplo, em Amnesiac.

E o melhor de tudo, são canções “rodáveis”/“executáveis”, porque já foram pensadas para execução ao vivo, e não como matéria de laboratório aberta a infinitas experimentações. Dessa forma, trata-se de um álbum concreto que, no início, foi vendido de forma imaterial; mais uma bela contradição do Radiohead.

Nude

Radiohead



Don't get any big ideas
They're not gonna happen
You paint yourself white
And feel up with noise
But there'll be something missing

Now that you've found it, it's gone
Now that you feel it, you don't
You've gone off the rails

So don't get any big ideas
They're not going to happen
You'll go to hell for what your dirty mind is thinking