Mário Quintana
Nunca ninguém sabe se estou
louco para rir ou para chorar...
Por isso o meu verso tem
esse quase imperceptível tremor...
A vida é triste, o mundo é louco!
Nem vale a pena matar-se por isso
Ninguém por ninguém!
Por nenhum amor...
A vida continua, indiferente!
"Arriscar-se é perder o equilíbrio por uns tempos, mas não se arriscar é perder-se a si mesmo para sempre." - Søren Aabye Kierkegaard
domingo, 25 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Ai se sêsse
Zé da Luz

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
domingo, 18 de novembro de 2007
Einmal nahm ich
Rainer Maria Rilke
Einmal nahm ich zwischen meine Hände
dein Gesicht. Der Mond fiel darauf ein.
Unbegreiflichster der Gegenstände
unter überfließendem Gewein.
Wie ein williges, das still besteht,
beinah war es wie ein Ding zu halten.
Und doch war kein Wesen in der kalten
Nacht, das mir unendlicher entgeht.
O da strömen wir zu diesen Stellen,
drängen in die kleine Oberfläche
alle Wellen unsres Herzens,
Lust und Schwäche,
und wem halten wir sie schließlich hin?
Ach dem Fremden, der uns missverstanden,
ach dem andern, den wir niemals fanden,
denen Knechten, die uns banden,
Frühlingswinden, die damit entschwanden,
und der Stille, der Verliererin
Uma vez tomei
Rainer Maria Rilke
Uma vez tomei entre minhas mãos
teu rosto. Sobre ele caia a lua.
O mais fantástico dos objetos
submerso em pranto.
Como algo dócil, que existe em silêncio,
contê-lo era quase como que um ardil.
E, ainda assim, não havia o que na
fria noite mais infinitamente me escapava.
Oh, porque desembocamos nestes lugares,
represando na pequena superfície
todas as ondas de nossos corações,
prazer e fraqueza,
e a quem ofereceremos tudo ao final?
Ah, aos estranhos, que nos mal entenderam,
ah, aos outros, que jamais encontramos,
aos servos, que nos ataram,
aos ventos de primavera, que se desvaneceram,
e ao sossego, o perdedor.
Einmal nahm ich zwischen meine Hände
dein Gesicht. Der Mond fiel darauf ein.
Unbegreiflichster der Gegenstände
unter überfließendem Gewein.
Wie ein williges, das still besteht,
beinah war es wie ein Ding zu halten.
Und doch war kein Wesen in der kalten
Nacht, das mir unendlicher entgeht.
O da strömen wir zu diesen Stellen,
drängen in die kleine Oberfläche
alle Wellen unsres Herzens,
Lust und Schwäche,
und wem halten wir sie schließlich hin?
Ach dem Fremden, der uns missverstanden,
ach dem andern, den wir niemals fanden,
denen Knechten, die uns banden,
Frühlingswinden, die damit entschwanden,
und der Stille, der Verliererin
Uma vez tomei
Rainer Maria Rilke
Uma vez tomei entre minhas mãos
teu rosto. Sobre ele caia a lua.
O mais fantástico dos objetos
submerso em pranto.
Como algo dócil, que existe em silêncio,
contê-lo era quase como que um ardil.
E, ainda assim, não havia o que na
fria noite mais infinitamente me escapava.
Oh, porque desembocamos nestes lugares,
represando na pequena superfície
todas as ondas de nossos corações,
prazer e fraqueza,
e a quem ofereceremos tudo ao final?
Ah, aos estranhos, que nos mal entenderam,
ah, aos outros, que jamais encontramos,
aos servos, que nos ataram,
aos ventos de primavera, que se desvaneceram,
e ao sossego, o perdedor.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Odeio as manhãs
Odeio as manhãs. Por mim não dormiria jamais. À noite, a mente elabora um fluxo descontínuo e fragmentado de idéias, sentimentos e frustrações e transforma tudo em pesadelo ou sonho. Aí chega a manhã, e tudo ressurge como uma mancha de óleo, como uma nuvem sufocante de gás. E a realidade, é apenas tristemente, cruelmente, malditamente a realidade.
sábado, 10 de novembro de 2007
A dream
Edgar Allan Poe
In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed--
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.
Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?
That holy dream--that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.
What though that light, thro' storm and night,
So trembled from afar--
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?
Um sonho
Edgar Allan Poe
Em visões da noite sombria
Sonhei uma alegria partida –
Mas um sonho acordado de vida e alegria
Deixou em meu coração uma ferida.
Ah! O que não é um sonho diurno
Para aquele cujo olhar arremessa
Em coisas ao seu redor como um raio
Que ao passado regressa?
Que sonho sagrado – que sonho sagrado,
Enquanto o mundo só reprovação via,
Encorajava-me como um raio amado
Um solitário espírito guia.
O que através daquela luz, através da noite e da tempestade,
Tão trêmula lá distante –
O que poderia ser mais puramente brilhante
Na diurna estrela da verdade?
In visions of the dark night
I have dreamed of joy departed--
But a waking dream of life and light
Hath left me broken-hearted.
Ah! what is not a dream by day
To him whose eyes are cast
On things around him with a ray
Turned back upon the past?
That holy dream--that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.
What though that light, thro' storm and night,
So trembled from afar--
What could there be more purely bright
In Truth's day-star?
Um sonho
Edgar Allan Poe
Em visões da noite sombria
Sonhei uma alegria partida –
Mas um sonho acordado de vida e alegria
Deixou em meu coração uma ferida.
Ah! O que não é um sonho diurno
Para aquele cujo olhar arremessa
Em coisas ao seu redor como um raio
Que ao passado regressa?
Que sonho sagrado – que sonho sagrado,
Enquanto o mundo só reprovação via,
Encorajava-me como um raio amado
Um solitário espírito guia.
O que através daquela luz, através da noite e da tempestade,
Tão trêmula lá distante –
O que poderia ser mais puramente brilhante
Na diurna estrela da verdade?
domingo, 4 de novembro de 2007
Noam Chomsky vs Michel Foucault
Justiça vs Poder
Chomsky
"Toda forma de coerção ou repressão, toda forma de controle autocrático de alguns domínios da existência, digamos, a propriedade privada de capital de alguns aspectos da vida humana como, por exemplo, restrições autocráticas sobre algumas áreas de atividade humana, podem ser justificadas, de modo algum, apenas em termos da necessidade de subsistência, ou da necessidade de sobrevivência, ou da necessidade de defesa contra algum destino terrível ou algo do tipo. Isso não pode ser justificado intrinsecamente. Pelo contrário deve ser superado e eliminado”.
Foucault
"Sabe-se que a universidade e, de modo geral, todos os sistemas educacionais, que aparentam simplesmente disseminar o conhecimento, são feitos para manter uma certa classe social no poder; e para excluir os instrumentos de poder de outras classes sociais".
Chomsky
"Toda forma de coerção ou repressão, toda forma de controle autocrático de alguns domínios da existência, digamos, a propriedade privada de capital de alguns aspectos da vida humana como, por exemplo, restrições autocráticas sobre algumas áreas de atividade humana, podem ser justificadas, de modo algum, apenas em termos da necessidade de subsistência, ou da necessidade de sobrevivência, ou da necessidade de defesa contra algum destino terrível ou algo do tipo. Isso não pode ser justificado intrinsecamente. Pelo contrário deve ser superado e eliminado”.
Foucault
"Sabe-se que a universidade e, de modo geral, todos os sistemas educacionais, que aparentam simplesmente disseminar o conhecimento, são feitos para manter uma certa classe social no poder; e para excluir os instrumentos de poder de outras classes sociais".
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
A maravilhosa cozinha existencialista
No último fim-de-semana, a Equipe PROTONS foi passar o domingo descansando numa velha casa abandonada desde o século XIX, que fica em algum lugar esquecido na estrada w3 entre as quadras 710 e 715. Lá, nós tivemos a sorte de descobrir diários perdidos de existencialistas franceses do século XIX. Nesses livros estão curiosas associações entre dor e sabor, que perturbará todas as definições metafísicas e conceitos holísticos dos que achavam que uma macarronada não tem nada de existencialista. Para quem se desespera com a questão de quem veio antes, o ovo ou a galinha, haverá de concordar que, pelo menos, num frango assado com farofa de ovos, os dois vão ao mesmo tempo bucho a dentro...
por Bruno Cavalcanti
Diário de Vitor Sodré, existencialista francês, 1891:
15 de janeiro: "Aqui estou eu, preso em mim mesmo, vendo da janela do meu quarto imundo o amontoado de carros indo e vindo, perdidos em sua própria insignificância... Olho para o relógio e concluo ser a hora do almoço... Qual o significado desse momento, tão definitivo na vida do homem comum?... Minha alma agoniza, eu preciso descobrir... Prepararei uma sopa de batatas e chegarei a algum lugar..."
"Coloquei quantas batatas eu quis numa panela. Coloquei água, mas só a quantidade necessária para que as batatas ficassem quase submersas, apenas com uma pequena parte fora d'água, para que se sintam sufocadas, angustiadas..."
"Levei a panela para o lugar mais frio da casa. Coloquei uma cadeira de frente para ela e fique sentado para sempre... Pensei sobre o quanto estou faminto, mas que a escolha é minha de continuar ou não assim. Quando anoitecer, não acenderei as luzes..."
16 de janeiro: (notas de rodapé) "...Como poderei saber ao certo se a batata escolheu ou não ser comida por mim? Isso me deixa mais e mais frustrado..."
"...Sei que aquela panela não representa por si só todas as angústias do homem desamparado num mundo sem Deus. Mas como posso demonstrar isso apenas com carboidratos?..."
17 de janeiro: "Acordei hoje decidido a tirar interpretações mais radicais sobre a sopa, numa tentativa de, talvez, expressar o vácuo existencial entre a fome e a dor. Estou bastante encorajado com os resultados, mas minha jornada ainda é longa..."
"Verduras são vitaminas, que representam o prazer do homem, o supérfluo, a negação. Pode ser que a mistura entre alface, coentro e repolho com a batata, resulte no suicídio da sopa... Mas de qualquer forma, o risco é meu..."
31 de janeiro: "Me tranquei no banheiro por quatorze dias por arrependimento, me negando a encarar qualquer um..."
9 de fevereiro: "...Venho colocando mais e mais batatas na sopa, dia após dia, como soldados marchando para o mar revolto e imprevisível. Melancólico, olho para as batatas, mas elas não me olham de volta... Preciso prová-las, mas não consigo! Apago as luzes, mas não adianta!... Preciso de mais força de vontade... Leio algumas passagens de Kierkegaard e estou finalmente pronto! Droga, tentei criar uma sopa que expressasse o sentido da existência, mas em vez disso, tem gosto de batata!... O que Albert Camus faria? Talvez um pouco de cebola..."
"É a hora do julgamento dos valores da sopa. Pus ela para cozinhar... As batatas pulam angustiadas enquanto a água ferve. Chego à conclusão de que a batata, mesmo livre, é vitimada pelo ambiente e sofre por isso. Estou muito feliz... Estou tão feliz que estou quase surtando!!!... Vou voltar pro banheiro..."
13 de fevereiro: "...Faz quatro dias que estou no banheiro, e já caíram 8.596 gotas de água na pia. Tudo é mesmo tão efêmero!... Ao sair do banheiro, percebo que o fogo do fogão (no caso, o fogão é a existência e o fogo é a essência) se extinguiu. A água evaporou da panela, embora, de gota em gota, continue existindo da torneira até a pia. Quão subjetivo é tudo isso! Estou tonto, acho que vou desmaiar..."
"Preciso colocar mais sal para poder chegar à definição perfeita do sentimento do vocábulo 'sopa'. O que ele representa? O quanto ele vale? Como ele se sente? Diabos, o que importa, já sei que a sopa vai viver e morrer sozinha!..."
14 de fevereiro: "As coisas não aconteceram como eu esperava! A sopa está cheirando mal, talvez tenha estragado... Afinal, faz um mês e meio que a venho preparando... Enfim, que seja! Não é este mesmo o fim de todas as coisas?..."
Fonte: http://www.protons.com.br/megazine/Xreceitas-existen.html
por Bruno Cavalcanti
Diário de Vitor Sodré, existencialista francês, 1891:
15 de janeiro: "Aqui estou eu, preso em mim mesmo, vendo da janela do meu quarto imundo o amontoado de carros indo e vindo, perdidos em sua própria insignificância... Olho para o relógio e concluo ser a hora do almoço... Qual o significado desse momento, tão definitivo na vida do homem comum?... Minha alma agoniza, eu preciso descobrir... Prepararei uma sopa de batatas e chegarei a algum lugar..."
"Coloquei quantas batatas eu quis numa panela. Coloquei água, mas só a quantidade necessária para que as batatas ficassem quase submersas, apenas com uma pequena parte fora d'água, para que se sintam sufocadas, angustiadas..."
"Levei a panela para o lugar mais frio da casa. Coloquei uma cadeira de frente para ela e fique sentado para sempre... Pensei sobre o quanto estou faminto, mas que a escolha é minha de continuar ou não assim. Quando anoitecer, não acenderei as luzes..."
16 de janeiro: (notas de rodapé) "...Como poderei saber ao certo se a batata escolheu ou não ser comida por mim? Isso me deixa mais e mais frustrado..."
"...Sei que aquela panela não representa por si só todas as angústias do homem desamparado num mundo sem Deus. Mas como posso demonstrar isso apenas com carboidratos?..."
17 de janeiro: "Acordei hoje decidido a tirar interpretações mais radicais sobre a sopa, numa tentativa de, talvez, expressar o vácuo existencial entre a fome e a dor. Estou bastante encorajado com os resultados, mas minha jornada ainda é longa..."
"Verduras são vitaminas, que representam o prazer do homem, o supérfluo, a negação. Pode ser que a mistura entre alface, coentro e repolho com a batata, resulte no suicídio da sopa... Mas de qualquer forma, o risco é meu..."
31 de janeiro: "Me tranquei no banheiro por quatorze dias por arrependimento, me negando a encarar qualquer um..."
9 de fevereiro: "...Venho colocando mais e mais batatas na sopa, dia após dia, como soldados marchando para o mar revolto e imprevisível. Melancólico, olho para as batatas, mas elas não me olham de volta... Preciso prová-las, mas não consigo! Apago as luzes, mas não adianta!... Preciso de mais força de vontade... Leio algumas passagens de Kierkegaard e estou finalmente pronto! Droga, tentei criar uma sopa que expressasse o sentido da existência, mas em vez disso, tem gosto de batata!... O que Albert Camus faria? Talvez um pouco de cebola..."
"É a hora do julgamento dos valores da sopa. Pus ela para cozinhar... As batatas pulam angustiadas enquanto a água ferve. Chego à conclusão de que a batata, mesmo livre, é vitimada pelo ambiente e sofre por isso. Estou muito feliz... Estou tão feliz que estou quase surtando!!!... Vou voltar pro banheiro..."
13 de fevereiro: "...Faz quatro dias que estou no banheiro, e já caíram 8.596 gotas de água na pia. Tudo é mesmo tão efêmero!... Ao sair do banheiro, percebo que o fogo do fogão (no caso, o fogão é a existência e o fogo é a essência) se extinguiu. A água evaporou da panela, embora, de gota em gota, continue existindo da torneira até a pia. Quão subjetivo é tudo isso! Estou tonto, acho que vou desmaiar..."
"Preciso colocar mais sal para poder chegar à definição perfeita do sentimento do vocábulo 'sopa'. O que ele representa? O quanto ele vale? Como ele se sente? Diabos, o que importa, já sei que a sopa vai viver e morrer sozinha!..."
14 de fevereiro: "As coisas não aconteceram como eu esperava! A sopa está cheirando mal, talvez tenha estragado... Afinal, faz um mês e meio que a venho preparando... Enfim, que seja! Não é este mesmo o fim de todas as coisas?..."
Fonte: http://www.protons.com.br/megazine/Xreceitas-existen.html
sábado, 20 de outubro de 2007
Existencialismo II
O homem é o único animal que se define a si próprio através do ato de viver. Em outras palavras, o homem (ou a mulher) primeiro existe, depois o indivíduo usa o tempo de sua vida para mudar a sua essência. O sentido da vida só é dado com a vivência. A busca do sentido da vida no existencialismo é a busca por si próprio.
Diferente do que muitos pensam, o existencialismo não é um tema sombrio ou deprimente. O existencialismo é sobre a vida. Mas não a vida como esta é tratada por Nietzsche ou Schopenhauer, que apesar de terem focalizado parte de suas reflexões para questões tipicamente existencialistas, o fizeram sem abandonar suas respectivas linhas de pensamento, ou seja, suas reflexões direcionavam-se para a vida e não para existência em si. A questão primordial é: em que lugar de sua filosofia o filósofo trata da existência? Ou ainda, ela tem prioridade?
Os filósofos da existência empenham-se em pensar o individuo real e contraditório a partir de sua existência cotidiana sem qualquer relevo especial. Some-se a isso fato de as filosofias da existência serem anti-naturalistas: existir é a condição/situação na qual nos encontramos desde sempre, não é uma natureza. O humano é, portanto, não-definível.
Nietzsche criticou a moral socrática, mas ao fazer isso, não considerou a singularidade de Sócrates como indivíduo, como Kierkegaard, por exemplo, o fez. Nietzsche considerou Sócrates e Cristo como figuras históricas (seus conceitos, o que representam) e não como singulares singularíssimos. O ponto é que tanto Schopenhauer como Nietzsche tratavam o Ser e seus estados de maneira totalizadora e não singular. As filosofias não existenciais podem dar respostas objetivas para o mundo, o existencialismo, não. Ele coloca o acento na subjetividade, no ponto de vista interior.
As filosofias existencialistas consideram o homem como um ser finito, continuamente confrontado com situações problemáticas e absurdas. O que interessa ao existencialismo é o homem em sua singularidade. No centro do pensamento existencialista encontra-se o homem singular e finito que faz escolhas e que lida com a situação de estar jogado no mundo.
Diferente do que muitos pensam, o existencialismo não é um tema sombrio ou deprimente. O existencialismo é sobre a vida. Mas não a vida como esta é tratada por Nietzsche ou Schopenhauer, que apesar de terem focalizado parte de suas reflexões para questões tipicamente existencialistas, o fizeram sem abandonar suas respectivas linhas de pensamento, ou seja, suas reflexões direcionavam-se para a vida e não para existência em si. A questão primordial é: em que lugar de sua filosofia o filósofo trata da existência? Ou ainda, ela tem prioridade?
Os filósofos da existência empenham-se em pensar o individuo real e contraditório a partir de sua existência cotidiana sem qualquer relevo especial. Some-se a isso fato de as filosofias da existência serem anti-naturalistas: existir é a condição/situação na qual nos encontramos desde sempre, não é uma natureza. O humano é, portanto, não-definível.
Nietzsche criticou a moral socrática, mas ao fazer isso, não considerou a singularidade de Sócrates como indivíduo, como Kierkegaard, por exemplo, o fez. Nietzsche considerou Sócrates e Cristo como figuras históricas (seus conceitos, o que representam) e não como singulares singularíssimos. O ponto é que tanto Schopenhauer como Nietzsche tratavam o Ser e seus estados de maneira totalizadora e não singular. As filosofias não existenciais podem dar respostas objetivas para o mundo, o existencialismo, não. Ele coloca o acento na subjetividade, no ponto de vista interior.
As filosofias existencialistas consideram o homem como um ser finito, continuamente confrontado com situações problemáticas e absurdas. O que interessa ao existencialismo é o homem em sua singularidade. No centro do pensamento existencialista encontra-se o homem singular e finito que faz escolhas e que lida com a situação de estar jogado no mundo.
domingo, 7 de outubro de 2007
Lösch mir die Augen aus
Rainer Maria Rilke
Lösch mir die Augen aus: ich kann dich sehen.
Wirf mir die Ohren zu: ich kann dich hören.
Und ohne Füße kann ich zu dir gehen.
Und ohne Mund noch kann ich dich beschwören.
Brich mir die Arme ab, ich fasse dich mit meinem Herzen,
Wie mit einer Hand.
Halt mir das Herz zu, und mein Hirn wir schlagen.
Und wirst du in mein Hirn den Brand,
so werd' ich dich auf meinem Blute tragen.
Apaga-me os olhos
Apaga-me os olhos: eu poderei te ver.
Tapa-me os ouvidos: eu poderei te ouvir.
E sem pés poderei até a ti chegar.
E sem boca ainda poderei te invocar.
Rompa-me os braços, eu te abraçarei com meu coração,
assim como com uma mão.
Pára meu coração, e meu cérebro pulsará.
E se tu incendeias meu cérebro,
levar-te-ei em meu sangue.
Lösch mir die Augen aus: ich kann dich sehen.
Wirf mir die Ohren zu: ich kann dich hören.
Und ohne Füße kann ich zu dir gehen.
Und ohne Mund noch kann ich dich beschwören.
Brich mir die Arme ab, ich fasse dich mit meinem Herzen,
Wie mit einer Hand.
Halt mir das Herz zu, und mein Hirn wir schlagen.
Und wirst du in mein Hirn den Brand,
so werd' ich dich auf meinem Blute tragen.
Apaga-me os olhos
Apaga-me os olhos: eu poderei te ver.
Tapa-me os ouvidos: eu poderei te ouvir.
E sem pés poderei até a ti chegar.
E sem boca ainda poderei te invocar.
Rompa-me os braços, eu te abraçarei com meu coração,
assim como com uma mão.
Pára meu coração, e meu cérebro pulsará.
E se tu incendeias meu cérebro,
levar-te-ei em meu sangue.
sábado, 6 de outubro de 2007
Apesar de tudo
É preciso tentar,
apesar das pessoas,
apesar das escolhas,
apesar dos erros,
apesar do cansaço,
apesar da sorte,
apesar da falta de sorte.
É preciso viver,
apesar das pessoas,
apesar da seca,
apesar do semestre,
apesar dos impostos,
apesar da morte,
apesar da vida.
É preciso amar,
apesar do egoísmo,
apesar da distância,
apesar do medo,
apesar do ódio,
apesar das pessoas,
principalmente das pessoas,
principalmente as pessoas.
apesar das pessoas,
apesar das escolhas,
apesar dos erros,
apesar do cansaço,
apesar da sorte,
apesar da falta de sorte.
É preciso viver,
apesar das pessoas,
apesar da seca,
apesar do semestre,
apesar dos impostos,
apesar da morte,
apesar da vida.
É preciso amar,
apesar do egoísmo,
apesar da distância,
apesar do medo,
apesar do ódio,
apesar das pessoas,
principalmente das pessoas,
principalmente as pessoas.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Nascere è un fatto
Luigi Pirandello
Nascere è un fatto. Nascere in un tempo anziché in un altro ve l'ho già detto; e da questo o da quel padre, e in questa o quella condizione; nascere maschio o femmina; in Lapponia o nel centro dell'Africa; e bello o brutto; con la gobba o senza gobba: fatti. E anche se perdete un occhio, è un fatto e potete anche perderli tutti e due, e se siete pittore è il peggior fatto che vi possa capitare.
Tempo, spazio, necessità. Sorte, fortuna, casi: trappole tutte della vita. Volete essere? C'è questo. In astratto non si è. Bisogna che s’intrappoli l'essere in una forma, e per alcun tempo si finisca in essa, qua o là, cosí o cosí. E ogni cosa, finché dura, porta con sé la pena della sua forma, la pena d'esser cosí e di non poter piú essere altrimenti. Quello sbiobbo là, pare una burla, uno scherzo compatibile sí e no per un minuto solo e poi basta; poi dritto, su, svelto, agile, alto.... ma che! sempre cosí, per tutta la vita che è una sola; e bisogna che si rassegni a passarla tutta tutta cosí.
E come le forme, gli atti.
Quando un atto è compiuto, è quello; non si cangia piú. Quando uno, comunque, abbia agito, anche senza che poi si senta e si ritrovi negli atti compiuti, ciò che ha fatto, resta: come una prigione per lui. Se avete preso moglie, o anche materialmente, se avete rubato e siete stato scoperto; se avete ucciso, come spire e tentacoli vi avviluppano le conseguenze delle vostre azioni; e vi grava sopra, attorno, come un'aria densa, irrespirabile, la responsabilità che per quelle azioni e le conseguenze di esse, non volute o non previste, vi siete assunta. E come potete piú liberarvi?
Già. Ma che intendete dire con questo? Che gli atti come le forme determinano la realtà mia o la vostra? E come? perché? Che siano una prigione, nessuno può negare. Ma se volete affermar questo soltanto, state in guardia che non affermate nulla contro di me, perché io dico appunto e sostengo anzi questo che sono una prigione e la piú ingiusta che si possa immaginare.
In: Uno, nessuno e centomila
Nascere è un fatto. Nascere in un tempo anziché in un altro ve l'ho già detto; e da questo o da quel padre, e in questa o quella condizione; nascere maschio o femmina; in Lapponia o nel centro dell'Africa; e bello o brutto; con la gobba o senza gobba: fatti. E anche se perdete un occhio, è un fatto e potete anche perderli tutti e due, e se siete pittore è il peggior fatto che vi possa capitare.
Tempo, spazio, necessità. Sorte, fortuna, casi: trappole tutte della vita. Volete essere? C'è questo. In astratto non si è. Bisogna che s’intrappoli l'essere in una forma, e per alcun tempo si finisca in essa, qua o là, cosí o cosí. E ogni cosa, finché dura, porta con sé la pena della sua forma, la pena d'esser cosí e di non poter piú essere altrimenti. Quello sbiobbo là, pare una burla, uno scherzo compatibile sí e no per un minuto solo e poi basta; poi dritto, su, svelto, agile, alto.... ma che! sempre cosí, per tutta la vita che è una sola; e bisogna che si rassegni a passarla tutta tutta cosí.
E come le forme, gli atti.
Quando un atto è compiuto, è quello; non si cangia piú. Quando uno, comunque, abbia agito, anche senza che poi si senta e si ritrovi negli atti compiuti, ciò che ha fatto, resta: come una prigione per lui. Se avete preso moglie, o anche materialmente, se avete rubato e siete stato scoperto; se avete ucciso, come spire e tentacoli vi avviluppano le conseguenze delle vostre azioni; e vi grava sopra, attorno, come un'aria densa, irrespirabile, la responsabilità che per quelle azioni e le conseguenze di esse, non volute o non previste, vi siete assunta. E come potete piú liberarvi?
Già. Ma che intendete dire con questo? Che gli atti come le forme determinano la realtà mia o la vostra? E come? perché? Che siano una prigione, nessuno può negare. Ma se volete affermar questo soltanto, state in guardia che non affermate nulla contro di me, perché io dico appunto e sostengo anzi questo che sono una prigione e la piú ingiusta che si possa immaginare.
In: Uno, nessuno e centomila
sábado, 22 de setembro de 2007
Sono cent'anni
Nazim Hikmet
Sono cent'anni che non ho visto il suo viso
che non ho passato il braccio
attorno alla sua vita
che non mi son fermato nei suoi occhi
che non ho interrogato
la chiarità del suo pensiero
che non ho toccato
il calore del suo ventre
eravamo sullo stesso ramo insieme
eravamo sullo stesso ramo
caduti dallo stesso ramo ci siamo separati
e tra noi il tempo è di cent'anni
di cent'anni la strada
e da cent'anni nella penombra
corro dietro a te.
Cem anos
Faz cem anos que não vejo sua face
que não passo o braço
em torno de sua vida
que não me fixo nos seus olhos
que não interrogo
a claridade do seu pensamento
que não toco
o calor do seu ventre
estávamos juntos no mesmo ramo
estávamos no mesmo ramo
caídos do mesmo ramo estamos separados
e entre nós o tempo é de cem anos
de cem anos a estrada
e há cem anos na penumbra
corro atrás de ti.
Sono cent'anni che non ho visto il suo viso
che non ho passato il braccio
attorno alla sua vita
che non mi son fermato nei suoi occhi
che non ho interrogato
la chiarità del suo pensiero
che non ho toccato
il calore del suo ventre
eravamo sullo stesso ramo insieme
eravamo sullo stesso ramo
caduti dallo stesso ramo ci siamo separati
e tra noi il tempo è di cent'anni
di cent'anni la strada
e da cent'anni nella penombra
corro dietro a te.
Cem anos
Faz cem anos que não vejo sua face
que não passo o braço
em torno de sua vida
que não me fixo nos seus olhos
que não interrogo
a claridade do seu pensamento
que não toco
o calor do seu ventre
estávamos juntos no mesmo ramo
estávamos no mesmo ramo
caídos do mesmo ramo estamos separados
e entre nós o tempo é de cem anos
de cem anos a estrada
e há cem anos na penumbra
corro atrás de ti.
Il più bello dei mari
Nazim Hikmet
Il più bello dei mari
è quello che non navigammo.
Il più bello dei nostri figli
non è ancora cresciuto.
I più belli dei nostri giorni
non li abbiamo ancora vissuti.
E quello
che vorrei dirti di più bello
non te l'ho ancora detto.
O mais belo dos mares
O mais belo dos mares
é aquele que não navegamos.
O mais belo dos nossos filhos
ainda não cresceu.
Os mais belos dos nossos dias
ainda não vivemos.
E aquilo
que queria dizer-te de mais belo
ainda não te disse.
Il più bello dei mari
è quello che non navigammo.
Il più bello dei nostri figli
non è ancora cresciuto.
I più belli dei nostri giorni
non li abbiamo ancora vissuti.
E quello
che vorrei dirti di più bello
non te l'ho ancora detto.
O mais belo dos mares
O mais belo dos mares
é aquele que não navegamos.
O mais belo dos nossos filhos
ainda não cresceu.
Os mais belos dos nossos dias
ainda não vivemos.
E aquilo
que queria dizer-te de mais belo
ainda não te disse.
sábado, 15 de setembro de 2007
Paciência
Rainer Maria Rilke
Habe Geduld
gegen alles Ungelöste in deinem Herzen
und versuche,
die Fragen selbst lieb zu haben,
wie verschlossene Stuben oder ein neues Buch,
das in fremder Sprache geschrieben ist.
Forsche nicht nach Antworten,
die dir nicht gegeben sind,
weil du sie nicht leben kannst.
Und darum handelt es sich doch:
alles zu leben.
Lebe jetzt die Fragen!
Vielleicht lebst du dann eines neuen Tages,
ohne es zu merken,
in die Antwort hinein.
Tem paciência
com tudo não resolvido em teu coração
e tenta
amar as perguntas em ti
como se fossem quartos trancados ou
um livro novo escrito numa língua estrangeira.
Não busque as respostas
que não te podem ser dadas
porque com elas tu não poderás viver.
E por isso, trata-te de viver tudo.
Vive as perguntas agora!
Talvez te seja dado,
sem que percebas,
de viver até um longínquo dia
em que terás a resposta em ti.
Habe Geduld
gegen alles Ungelöste in deinem Herzen
und versuche,
die Fragen selbst lieb zu haben,
wie verschlossene Stuben oder ein neues Buch,
das in fremder Sprache geschrieben ist.
Forsche nicht nach Antworten,
die dir nicht gegeben sind,
weil du sie nicht leben kannst.
Und darum handelt es sich doch:
alles zu leben.
Lebe jetzt die Fragen!
Vielleicht lebst du dann eines neuen Tages,
ohne es zu merken,
in die Antwort hinein.
Tem paciência
com tudo não resolvido em teu coração
e tenta
amar as perguntas em ti
como se fossem quartos trancados ou
um livro novo escrito numa língua estrangeira.
Não busque as respostas
que não te podem ser dadas
porque com elas tu não poderás viver.
E por isso, trata-te de viver tudo.
Vive as perguntas agora!
Talvez te seja dado,
sem que percebas,
de viver até um longínquo dia
em que terás a resposta em ti.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Liebes-Lied
Rainer Maria Rilke
Wie soll ich meine Seele halten, daß
sie nicht an deine rührt? Wie soll ich sie
hinheben über dich zu andern Dingen?
Ach gerne möcht ich sie bei irgendwas
Verlorenem im Dunkel unterbringen
an einer fremden stillen Stelle, die
nicht weiterschwingt, wenn deine Tiefen schwingen.
Doch alles, was uns anrührt, dich und mich,
nimmt uns zusammen wie ein Bogenstrich,
der aus zwei Saiten eine Stimme zieht.
Auf welches Instrument sind wir gespannt?
Und welcher Geiger hat uns in der Hand?
O süßes Lied.
Canção de amor
Como posso conter minha alma,
para que ela não toque a tua?
Como posso elevá-la sobre ti
acima de todas as outras coisas?
Ah, eu gostaria tanto de te repousar
entre objetos há muito perdidos na escuridão,
abrigada num lugar desconhecido,
onde permanecesses imóvel
enquanto tuas entranhas vibrassem.
Mas tudo o que nos toca,
a ti e a mim,
nos une como um golpe de um arco,
que de duas cordas de um violino tira uma só voz.
A que instrumento estamos presos?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.
Wie soll ich meine Seele halten, daß
sie nicht an deine rührt? Wie soll ich sie
hinheben über dich zu andern Dingen?
Ach gerne möcht ich sie bei irgendwas
Verlorenem im Dunkel unterbringen
an einer fremden stillen Stelle, die
nicht weiterschwingt, wenn deine Tiefen schwingen.
Doch alles, was uns anrührt, dich und mich,
nimmt uns zusammen wie ein Bogenstrich,
der aus zwei Saiten eine Stimme zieht.
Auf welches Instrument sind wir gespannt?
Und welcher Geiger hat uns in der Hand?
O süßes Lied.
Canção de amor
Como posso conter minha alma,
para que ela não toque a tua?
Como posso elevá-la sobre ti
acima de todas as outras coisas?
Ah, eu gostaria tanto de te repousar
entre objetos há muito perdidos na escuridão,
abrigada num lugar desconhecido,
onde permanecesses imóvel
enquanto tuas entranhas vibrassem.
Mas tudo o que nos toca,
a ti e a mim,
nos une como um golpe de um arco,
que de duas cordas de um violino tira uma só voz.
A que instrumento estamos presos?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.
sábado, 7 de julho de 2007
Vida?
homem, cama, relógio
homem, cama, parede
homem, cama, relógio
roupa, carro, sucede
homem, engarrafamento, gente
atraso, prova, estresse
almoço, relógio, gente
trabalho, gente e estresse.
homem, mulher, bar, bebida
homem, mulher, olho, mão
boca, lingua, carro e casa
sala, quarto, roupa
então
homem, mulher, amor, promessa
homem, mulher, carta, flor
sal, tempo, sim, igreja
toalha, escova, parto, dor
homem, mulher, filhos, trabalho
homem, mulher, tempo, não
final de semana, casa, (sogra)
final de semana, televisão
homem, mulher, outro, outra
homem, mulher, tempo, sal
olho, nariz, batom, perfume
grito, tapa, lágrima, (final)
homem, mulher, tempo, nada
homem, mulher, desilusão
homem, mulher
final de semana
bar
bebida.
homem, cama, parede
homem, cama, relógio
roupa, carro, sucede
homem, engarrafamento, gente
atraso, prova, estresse
almoço, relógio, gente
trabalho, gente e estresse.
homem, mulher, bar, bebida
homem, mulher, olho, mão
boca, lingua, carro e casa
sala, quarto, roupa
então
homem, mulher, amor, promessa
homem, mulher, carta, flor
sal, tempo, sim, igreja
toalha, escova, parto, dor
homem, mulher, filhos, trabalho
homem, mulher, tempo, não
final de semana, casa, (sogra)
final de semana, televisão
homem, mulher, outro, outra
homem, mulher, tempo, sal
olho, nariz, batom, perfume
grito, tapa, lágrima, (final)
homem, mulher, tempo, nada
homem, mulher, desilusão
homem, mulher
final de semana
bar
bebida.
sábado, 2 de junho de 2007
Capítulo 6: o boletim da 5º série
Capítulo 5: o boletim da 4º série
CENTRO INTERGALÁCTICO DE ENSINO
BOLETIM ESCOLAR
ESTUDANTE: Lobo
SÉRIE: 4ª
PROFESSOR: E. Tribb


OPORTUNIDADES PROFISSIONAIS: nenhuma, a menos que exista, em algum lugar do universo, um mercado para a imposição de dor, lesão e morte. Lobo tem grande necessidade de auxílio – embora não tanto, eu suspeito, quanto Czarnia.
BOLETIM ESCOLAR
ESTUDANTE: Lobo
SÉRIE: 4ª
PROFESSOR: E. Tribb


OPORTUNIDADES PROFISSIONAIS: nenhuma, a menos que exista, em algum lugar do universo, um mercado para a imposição de dor, lesão e morte. Lobo tem grande necessidade de auxílio – embora não tanto, eu suspeito, quanto Czarnia.
domingo, 27 de maio de 2007
Capítulo 4: heavy metal como fator no desenvolvimento do psicopata
Como os czarnianos nunca tiveram interesse na música denominada “Rock”, podemos deduzir que o primeiro contato de Lobo com o gênero se deu após o misterioso desaparecimento de sua babá. Segundo uma listagem compilada naquela época, o rádio da mulher também havia desaparecido.
O primeiro pedido legítimo de Lobo, ao dois anos de idade, foi divulgado um mês depois, em um programa transmitido pela estação pirata Rock Cósmico Zumbi. Wolfman Wilf, um disk jockey perceptivelmente agitado, leu esta mensagem: “Toque ‘Eu matei meus pais (e não foi por acidente)’, do Oedipus Wrecks, até eu ficar de saco cheio ou vou aí arrancar a porra da sua cabeça fora, sua bicha caquética. Felicidades” assinado: Lobo”.
A partir daquela data, Wolfman Wilf não deixou de tocar a música... E, sem dúvida, Lobo não parou de ouvi-la. Imagine o efeito daquela “canção” – com sua letra ilícita e aberrante, sua batida primitiva e instrumentação selvagem –, tocada ininterruptamente durante anos! Alguém pode imaginar os horrores indescritíveis causados por esta música em uma jovem mente que já estava corrompida?
No início da adolescência, Lobo montou sua própria banda: “O Homem e os Vários Vômitos”. A estréia foi no Festival Czarnia 9 Oitavas Chime-haiku. A combinação de microfonias e sobrecargas elétricas resultou na morte dos jurados, dos espectadores de seis fileiras do setor “D” da platéia e do vendedor da barraca de chá de ervas. Os “Vários Vômitos” (felizmente, segundo alguns) foram inesperadamente decapitados no clímax do primeiro refrão.
Correu o boato de que logo após o show Lobo deu entrada num hospital particular, onde ia instalar um microreceptor de rádio ligado diretamente ao lóbulo auditivo de seu cérebro. Não pude obter corroboração definitiva deste fato, pois, naquela mesma noite, a clínica foi incendiada pouco depois e os funcionários foram encontrados degolados.
Pos isso, podemos concluir seguramente que, desde então, Lobo foi constantemente exposto ao ritmo pulsante, aos gritos agudos e à vulgaridade grosseira características do gênero.
Atualmente, alguns dizem que Lobo começou uma vida nova, tornando-se membro remunerado da L.E.G.I.A.O., a força policial interplanetária de Vril Dox II. Para esses pobres todos iludidos, eu respondo: bobagem! Lobo já está muito pervertido para poder voltar atrás!
A verdade sobre essa questão é a seguinte: Vril Dox enfrentou Lobo numa “batalha épica” e, embora tivesse seus poderes temporariamente ampliados a níveis máximos, no curso lógico dos eventos o czarniano ainda seria capaz de derrotá-lo com relativa facilidade.
O modo com Dox venceu tem sido motivo de perplexidade para muitos. Agora, eu posso revelar como tudo aconteceu: logo no começo da luta, a estação de rádio Rock Cósmico Zumbi saiu do ar! As transmissões foram interrompidas devido a uma falha nos geradores, causada por um imenso meteoro. Aquela música insana que por tanto tempo alimentou a selvageria obstinada de Lobo silenciou! A Rock Cósmico Zumbi ficou fora do ar por duas horas. Sem aquele barulho incessante – um primitivo estímulo cacofônico à loucura, demonismo e matança gratuita –, Lobo perdeu sua vantagem. E a luta.
Forçado em nome da honra a obedecer ao vitorioso, Lobo não teve outra escolha senão ingressar na L.E.G.I.A.O., onde suas arbitrariedades são cometidas contra os criminosos (sem dúvida, antigos “companheiros”).
O primeiro pedido legítimo de Lobo, ao dois anos de idade, foi divulgado um mês depois, em um programa transmitido pela estação pirata Rock Cósmico Zumbi. Wolfman Wilf, um disk jockey perceptivelmente agitado, leu esta mensagem: “Toque ‘Eu matei meus pais (e não foi por acidente)’, do Oedipus Wrecks, até eu ficar de saco cheio ou vou aí arrancar a porra da sua cabeça fora, sua bicha caquética. Felicidades” assinado: Lobo”.
A partir daquela data, Wolfman Wilf não deixou de tocar a música... E, sem dúvida, Lobo não parou de ouvi-la. Imagine o efeito daquela “canção” – com sua letra ilícita e aberrante, sua batida primitiva e instrumentação selvagem –, tocada ininterruptamente durante anos! Alguém pode imaginar os horrores indescritíveis causados por esta música em uma jovem mente que já estava corrompida?
No início da adolescência, Lobo montou sua própria banda: “O Homem e os Vários Vômitos”. A estréia foi no Festival Czarnia 9 Oitavas Chime-haiku. A combinação de microfonias e sobrecargas elétricas resultou na morte dos jurados, dos espectadores de seis fileiras do setor “D” da platéia e do vendedor da barraca de chá de ervas. Os “Vários Vômitos” (felizmente, segundo alguns) foram inesperadamente decapitados no clímax do primeiro refrão.
Correu o boato de que logo após o show Lobo deu entrada num hospital particular, onde ia instalar um microreceptor de rádio ligado diretamente ao lóbulo auditivo de seu cérebro. Não pude obter corroboração definitiva deste fato, pois, naquela mesma noite, a clínica foi incendiada pouco depois e os funcionários foram encontrados degolados.
Pos isso, podemos concluir seguramente que, desde então, Lobo foi constantemente exposto ao ritmo pulsante, aos gritos agudos e à vulgaridade grosseira características do gênero.
Atualmente, alguns dizem que Lobo começou uma vida nova, tornando-se membro remunerado da L.E.G.I.A.O., a força policial interplanetária de Vril Dox II. Para esses pobres todos iludidos, eu respondo: bobagem! Lobo já está muito pervertido para poder voltar atrás!
A verdade sobre essa questão é a seguinte: Vril Dox enfrentou Lobo numa “batalha épica” e, embora tivesse seus poderes temporariamente ampliados a níveis máximos, no curso lógico dos eventos o czarniano ainda seria capaz de derrotá-lo com relativa facilidade.
O modo com Dox venceu tem sido motivo de perplexidade para muitos. Agora, eu posso revelar como tudo aconteceu: logo no começo da luta, a estação de rádio Rock Cósmico Zumbi saiu do ar! As transmissões foram interrompidas devido a uma falha nos geradores, causada por um imenso meteoro. Aquela música insana que por tanto tempo alimentou a selvageria obstinada de Lobo silenciou! A Rock Cósmico Zumbi ficou fora do ar por duas horas. Sem aquele barulho incessante – um primitivo estímulo cacofônico à loucura, demonismo e matança gratuita –, Lobo perdeu sua vantagem. E a luta.
Forçado em nome da honra a obedecer ao vitorioso, Lobo não teve outra escolha senão ingressar na L.E.G.I.A.O., onde suas arbitrariedades são cometidas contra os criminosos (sem dúvida, antigos “companheiros”).
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Capítulo 3: uma entrevista com a morte
Transcrito 531 – Avaliação psicológica da L.E.G.I.A.O.
Assunto: Lobo
Médico examinador: o falecido Dr. J.A. Gnuoy
Cópias: Vril Dox, Lyrissa Mallor
LOBO: ...quem sentou aqui por último? Essa porra tá mais quente que bunda de prostituta delbiana...
DOUTOR: Bem-vindo, Lobo. Este é apenas um procedimento padrão para os arquivos da L.E.G.I.A.O., eu só vou fazer algumas perguntas, ok? Então vamos começar... O que exatamente você não gosta nos outros seres?
LOBO: Tenta advinhar! Ce ta quase lá!
DOUTOR: Insistindo no assunto, pode me dizer por que quando as pessoas o irritam ou, algumas vezes, nem fazem nada, você as mata?
LOBO: E qualé o problema nisso? Eu não mato só por matar! Sem contrato, sem morte... Sacou? Eu sou matador profissional, assassino da realeza e flagelo da galáxia. Minhas habilidades especiais exigem grana alta. Sem pagamento, sem serviço. Mas quando mato alguém eu não sou pago, geralmente acabo com os caras que me deram calote. Isso eu faço de graça. Encare como um tipo de... serviço público.
DOUTOR: Entendo... Mas o que isso tem a ver com seus amigos?
LOBO: Que “amigos”? Essa pergunta é uma pegadinha?
DOUTOR: Hã... Vamos continuar. Você já encontrou um objetivo na vida?
LOBO: Cê ficou louco? Meu negócio é MATAR e ALEIJAR. Que merda!! Eu suei muito para ser o melhor... O Primo Hombre dessa porra de universo! Ninguém faz melhor que eu! NINGUÉM!!!
DOUTOR: Muito bem. Agora me explique uma coisa: como essa imagem machista de “matar todo mundo e mutilar os sobreviventes” se encaixa com os golfinhos espaciais que estão sob sua proteção? Foi comprovado que você é tão gentil e amoroso com eles quanto é selvagem e cruel com qualquer outro ser.
LOBO: Que conversa fiada é essa chefia? Sai fora! Tá querendo me difamar?É ISSO?!
DOUTOR: N-NÃO! Pelo amor de Deus! Eu só estava querendo saber de que forma você convive com estes dois comportamentos tão distintos entre si...
LOBO: Não convivo. Meus “peixes” são gentis e graciosos, a forma de vida mais pura que eu já encontrei até hoje. Os coitadinhos precisam de mim pra tomar conta deles...
DOUTOR: Entendo... E tenho certeza de que você precisa de alguém como eles. Sim... é isso mesmo. A imagem começa a se forma agora... voltando de moto para o lar em algum ponto remoto do Mar dos Sargaços Espaciais cansado e mal-humorado depois de um dia duro de matança, seu amigos lisinhos brincando e dando cambalhotas a sua volta, esperando seu dono para irem passear...
LOBO: ... (som tamborilando os dedos sobre a mesa, impacientemente.)
DOUTOR: Hã... continuando... Você tem a fama bem difundida de ser o czarniano que matou toda a sua raça para ser único...
LOBO: Não me diga... Aquilo funcionou... não funcionou?
DOUTOR: Bem... sim. Mas, para qualquer ser racional, tal ato de genocídio, nessa escala colossal, é inconcebível. Quero dizer, como alguém pode fazer algo tão grotesco, primitivo e bárbaro...?
LOBO: Você é burro, retardado ou o quê? Eu simplesmente faço. É por isso que sou o único e eles não! HAHAHAH!!! Essa foi boa, hein?
DOUTOR: Mudando de assunto... a despeito de sua reputação assassina, você também é conhecido como um homem de palavra, um homem de honra.
LOBO: É isso aí. Eu não digo uma coisa e faço outra. Você faz uma promessa, você cumpre! Você assina um contrato, você honra! Você jura vingança, você vinga! Por mais tempo que isso demore. É como eu sempre digo: pegue uma arma e nunca desista! HAHAHAH!!! “Arma”, sacou!
DOUTOR: Mesmo se a voz da razão disser o contrário?
LOBO: “Voz da razão”?
DOUTOR: Você realmente é um homem de anomalias extremas... Será que aquele vestígio sutil de gentileza que percebi em você se perdeu totalmente? Alguma vez já se sentiu culpado pelos seus crimes hediondos?
LOBO: “Vestígio sutil de gentileza”? “Crimes hediondos”? Que porra é essa? Alguma piada idiota?
DOUTOR: N-não, não... Eu só estava...
LOBO: Seu veado bunda-mole! Vocês, psiquiatras, são todos iguais: um bando de imbecis que ficam babando pelo canto da boca! A gente perde tempo e dinheiro vindo aqui, age com educação... Sim, senhor... Não, senhor... E o que recebe em troca? Saco cheio! Ou como diria o desgraçado do Vril: “Saturação da bolsa escrotal”... CACETE! Eu vim até aqui, sentei numa cadeira pegajosa e... Hmmm... Ahá! Acabei de ter uma idéia pra derrubar essa tua pose de sabe-tudo! Pra falar a verdade, doutor, acho que chegou a minha vez. Vamos ver o que tem dentro da sua cabeça e examinar o cérebro!
DOUTOR: Não... O que você está fazendo? Fique longe de mim! Eu estou lhe avisando... Eu... SOCOR. AAAAARRRGGHHHH!!!
LOBO: Olha só! O que é essa geléia branca cheia de gominhos? Será que – clic.
* Fim da transcrição *
-------------
RELATÓRIO DE AUTÓPSIA DO DR. J.A. GNUOY: A morte do Dr. Gnuoy parece ter sido causada por um grande traumatismo craniano. No entanto, ressaltamos que isso é apenas conjectura de nossa parte, pois fomos incapazes de localizar a cabeça acima mencionada.
Equipe Médica
Assunto: Lobo
Médico examinador: o falecido Dr. J.A. Gnuoy
Cópias: Vril Dox, Lyrissa Mallor
LOBO: ...quem sentou aqui por último? Essa porra tá mais quente que bunda de prostituta delbiana...
DOUTOR: Bem-vindo, Lobo. Este é apenas um procedimento padrão para os arquivos da L.E.G.I.A.O., eu só vou fazer algumas perguntas, ok? Então vamos começar... O que exatamente você não gosta nos outros seres?
LOBO: Tenta advinhar! Ce ta quase lá!
DOUTOR: Insistindo no assunto, pode me dizer por que quando as pessoas o irritam ou, algumas vezes, nem fazem nada, você as mata?
LOBO: E qualé o problema nisso? Eu não mato só por matar! Sem contrato, sem morte... Sacou? Eu sou matador profissional, assassino da realeza e flagelo da galáxia. Minhas habilidades especiais exigem grana alta. Sem pagamento, sem serviço. Mas quando mato alguém eu não sou pago, geralmente acabo com os caras que me deram calote. Isso eu faço de graça. Encare como um tipo de... serviço público.
DOUTOR: Entendo... Mas o que isso tem a ver com seus amigos?
LOBO: Que “amigos”? Essa pergunta é uma pegadinha?
DOUTOR: Hã... Vamos continuar. Você já encontrou um objetivo na vida?
LOBO: Cê ficou louco? Meu negócio é MATAR e ALEIJAR. Que merda!! Eu suei muito para ser o melhor... O Primo Hombre dessa porra de universo! Ninguém faz melhor que eu! NINGUÉM!!!
DOUTOR: Muito bem. Agora me explique uma coisa: como essa imagem machista de “matar todo mundo e mutilar os sobreviventes” se encaixa com os golfinhos espaciais que estão sob sua proteção? Foi comprovado que você é tão gentil e amoroso com eles quanto é selvagem e cruel com qualquer outro ser.
LOBO: Que conversa fiada é essa chefia? Sai fora! Tá querendo me difamar?É ISSO?!
DOUTOR: N-NÃO! Pelo amor de Deus! Eu só estava querendo saber de que forma você convive com estes dois comportamentos tão distintos entre si...
LOBO: Não convivo. Meus “peixes” são gentis e graciosos, a forma de vida mais pura que eu já encontrei até hoje. Os coitadinhos precisam de mim pra tomar conta deles...
DOUTOR: Entendo... E tenho certeza de que você precisa de alguém como eles. Sim... é isso mesmo. A imagem começa a se forma agora... voltando de moto para o lar em algum ponto remoto do Mar dos Sargaços Espaciais cansado e mal-humorado depois de um dia duro de matança, seu amigos lisinhos brincando e dando cambalhotas a sua volta, esperando seu dono para irem passear...
LOBO: ... (som tamborilando os dedos sobre a mesa, impacientemente.)
DOUTOR: Hã... continuando... Você tem a fama bem difundida de ser o czarniano que matou toda a sua raça para ser único...
LOBO: Não me diga... Aquilo funcionou... não funcionou?
DOUTOR: Bem... sim. Mas, para qualquer ser racional, tal ato de genocídio, nessa escala colossal, é inconcebível. Quero dizer, como alguém pode fazer algo tão grotesco, primitivo e bárbaro...?
LOBO: Você é burro, retardado ou o quê? Eu simplesmente faço. É por isso que sou o único e eles não! HAHAHAH!!! Essa foi boa, hein?
DOUTOR: Mudando de assunto... a despeito de sua reputação assassina, você também é conhecido como um homem de palavra, um homem de honra.
LOBO: É isso aí. Eu não digo uma coisa e faço outra. Você faz uma promessa, você cumpre! Você assina um contrato, você honra! Você jura vingança, você vinga! Por mais tempo que isso demore. É como eu sempre digo: pegue uma arma e nunca desista! HAHAHAH!!! “Arma”, sacou!
DOUTOR: Mesmo se a voz da razão disser o contrário?
LOBO: “Voz da razão”?
DOUTOR: Você realmente é um homem de anomalias extremas... Será que aquele vestígio sutil de gentileza que percebi em você se perdeu totalmente? Alguma vez já se sentiu culpado pelos seus crimes hediondos?
LOBO: “Vestígio sutil de gentileza”? “Crimes hediondos”? Que porra é essa? Alguma piada idiota?
DOUTOR: N-não, não... Eu só estava...
LOBO: Seu veado bunda-mole! Vocês, psiquiatras, são todos iguais: um bando de imbecis que ficam babando pelo canto da boca! A gente perde tempo e dinheiro vindo aqui, age com educação... Sim, senhor... Não, senhor... E o que recebe em troca? Saco cheio! Ou como diria o desgraçado do Vril: “Saturação da bolsa escrotal”... CACETE! Eu vim até aqui, sentei numa cadeira pegajosa e... Hmmm... Ahá! Acabei de ter uma idéia pra derrubar essa tua pose de sabe-tudo! Pra falar a verdade, doutor, acho que chegou a minha vez. Vamos ver o que tem dentro da sua cabeça e examinar o cérebro!
DOUTOR: Não... O que você está fazendo? Fique longe de mim! Eu estou lhe avisando... Eu... SOCOR. AAAAARRRGGHHHH!!!
LOBO: Olha só! O que é essa geléia branca cheia de gominhos? Será que – clic.
* Fim da transcrição *
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RELATÓRIO DE AUTÓPSIA DO DR. J.A. GNUOY: A morte do Dr. Gnuoy parece ter sido causada por um grande traumatismo craniano. No entanto, ressaltamos que isso é apenas conjectura de nossa parte, pois fomos incapazes de localizar a cabeça acima mencionada.
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