"Arriscar-se é perder o equilíbrio por uns tempos, mas não se arriscar é perder-se a si mesmo para sempre." - Søren Aabye Kierkegaard
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
À espera dos bárbaros
sábado, 14 de julho de 2018
Nada
Ei gata, quando você for embora
Não deixe nada para trás
Eu não quero nada
Não posso usar nada
Tome cuidado no salão
E se vir meus amigos
Diga e eles que estou bem
Não usando nada
Quase queimei meus olhos
Queimei meus ouvidos no chão
Eu não vi nada
Eu não ouvi nada
Fiquei lá como um bloco de pedra
Sabendo tudo o que deveria saber
E nada mais
Cara, isso não é nada
Como irmãos, nossos problemas estão
Trancados nos braços um do outro
E melhor rezar
Para que eles nunca te encontrem
Suas costas não são fortes o suficiente
Para cargas dobradas
Eles te esmagariam
Até não sobrar nada
Nascer é ficar cego
E curvar-se umas mil vezes
O eco fica preso
Em pura tentação
Tristeza e solidão
Estas são as coisas preciosas
E as únicas palavras
Que valem a pena lembrar
Nothin'
Townes Van Zandt
Hey mama, when you leave
Don't leave a thing behind
I don't want nothin'
I can't use nothin'
Take care into the hall
And if you see my friends
Tell them I'm fine
Not using nothin'
Almost burned out my eyes
Threw my ears down to the floor
I didn't see nothin'
I didn't hear nothin'
I stood there like a block of stone
Knowin' all I had to know
And nothin' more
Man, that's nothin'
As brothers our troubles are
Locked in each others arms
And you better pray
They never find you
Your back ain't strong enough
For burdens double fold
They'd crush you down
Down into nothin'
Being born is going blind
And bowing down a thousand times
The echo strung
On pure temptation
Sorrow and solitude
These are the precious things
And the only words
That are worth rememberin'
terça-feira, 7 de outubro de 2014
O andarilho - Segunda versão
SEMPRE se apoia na colina a noite branca,
onde se eleva o álamo, em música prateada,
há estrelas e pedras.
Sonolenta, arqueia-se sobre o rio a pequena ponte,
um rosto morto persegue o menino,
meia lua no vale rosa
e, ao longe, pastores agradecem. Do pedregoso leito
avista com seus olhos cristalinos o sapo,
ergue-se, do vento florido, a voz de pássaro do que se assemelha a um morto
e os passos verdejam lentos no bosque.
E isto recorda ao animal e à árvore. Lentas escadas de musgo;
e a Lua,
esplêndida, cujo brilho se afunda na lagoa melancólica.
Ele regressa e vaga pelas verdes costas,
equilibra-se numa gôndola negra pela cidade em ruínas.
DER WANDERER 2. Fassung
IMMER lehnt am Hügel die weiße Nacht, Wo in Silbertönen die Pappel ragt, Stern' und Steine sind. Schlafend wölbt sich über den Gießbach der Steg, Folgt dem Knaben ein erstorbenes Antlitz, Sichelmond in rosiger Schlucht Ferne preisenden Hirten. In altem Gestein Schaut aus kristallenen Augen die Kröte, Erwacht der blühende Wind, die Vogelstimme des Totengleichen Und die Schritte ergrünen leise im Wald. Dieses erinnert an Baum und Tier. Langsame Stufen von Moos; Und der Mond, Der glänzend in traurigen Wassern versinkt. Jener kehrt wieder und wandelt an grünem Gestade, Schaukelt auf schwarzem Gondelschiffchen durch die verfallene Stadt.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Insônia
“O que vejo, o que sou e suponho será apenas um sonho num sonho?”
Quando se sofre de insônia, uma das melhores coisas para se fazer de madrugada é escrever. Ficar plugado no computador, por horas, digitando idéias até que o sono finalmente chegue. Isso geralmente é um problema, mas às vezes até que vem a calhar. É o final do semestre, e eu aproveito a vigília para terminar o último trabalho de literatura. A luz branda do monitor mal ilumina o ambiente e o silêncio só é quebrado pelo telequeteque do teclado. O frio cortante é amenizado pelo chá quente. Estranhamente, a inspiração está fluindo. Minhas considerações finais são armazenadas no documento – estou prestes a concluir meu texto. O frio aumenta. O chá acaba. O corpo cansado pede socorro para o sono. A mente, pouco ágil, precisa de algo que ajude manter a concentração.
Vou até a cozinha, preparo um café forte e volto para o quarto. A xícara fumegante transborda no pires. Sento-me. Para minha surpresa, na telinha, no lugar de meu texto, amontoam-se palavras incoerentes. Meu coração acelera. Putz! Perdi todo o meu trabalho... Serei obrigado a refazê-lo totalmente... Mas como, se não escrevi nenhum rascunho e fui digitando a medida em que as idéias me vinham à cabeça? Tento mudar a página. Subo a barra, desço a barra. O Word fica na mesma. Noto que as palavras estão organizadas duas a duas e sempre obedecendo ao mesmo padrão: “nunca mais”. Imediatamente passo o antivírus e verifico o firewall. Nada é constatado. Desligo o computador. Será que a condição de insone está me pregando uma peça? Estarei pagando o preço por abusar dos limites do corpo? Afinal, já faz três dias que não durmo direito... Sim, deve ser isso... Quando se tem insônia, nada parece ser real. Você nunca está realmente acordado, mas também nunca está realmente dormindo... Sua mente não consegue focalizar um pensamento, pois sempre há vários – tudo se torna disperso. Além disso, o céu e azul a água é molhada e os computadores travam... Novos vírus surgem todos os dias... Talvez, mais tarde, quando estiver devidamente descansado, eu consiga compreender o que aconteceu e seja capaz de perceber que tudo não passa de uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais. Sim, deve ser isso... Que seja, então... Não posso perder tempo. Tenho que recomeçar... Reinício o computador. Concentro meu pensamento. Com muita dificuldade, consigo refazer os tópicos principais. Os olhos ardem. O corpo dói. O sono finalmente chega. Preciso de mais café...
Oh! Que minha juventude foi um permanente devaneio!
Meu espírito não despertou, até que veio
o raio de uma Eternidade que trouxesse a aurora.
Sim! Embora fosse esse longo sonho de aflição perdida,
Era melhor que a realidade gélida
da vida desperta, dos que de coração devem ser,
e ainda têm sido, sobre a amável Terra
um caos de profunda paixão, desde o início da vida. 1
Quando finalmente consigo focalizar minha mente, meu corpo é tomado por uma sensação estranha. Sinto-me leve, como se estivesse flutuando, possuído por uma liberdade até então desconhecida, como se de repente não sentisse mais preocupações... Abro meus olhos e, para minha surpresa, já é dia. Terei imaginado tudo isso? Tudo não passou de um pesadelo? Olho para o monitor, meu trabalho está no ponto em que deixei antes de ir preparar o café pela primeira vez. Respiro aliviado e penso comigo mesmo: “foi um sonho e nada mais...”. Vou ao banheiro, tomo um a demorada ducha fria para ter certeza de que estou realmente acordado. Volto para o quarto. Avisto o monitor: pousado sobre ele está um enorme pássaro preto com brilhantes olhos amarelos e, logo abaixo, as palavras “nunca mais” se acumulam na tela...
1. DREAMS,
My spirit not awakening, till the beam
Of an Eternity should bring the morrow.
Yes! tho' that long dream were of hopeless sorrow,
'Twere better than the cold reality
Of waking life, to him whose heart must be,
And hath been still, upon the lovely earth,
A chaos of deep passion, from his birth.
Continuing- as dreams have been to me
In my young boyhood- should it thus be given,
'Twere folly still to hope for higher Heaven.
I' the summer sky, in dreams of living light
And loveliness,- have left my very heart
In climes of my imagining, apart
From mine own home, with beings that have been
Of mine own thought- what more could I have seen?
From my remembrance shall not pass- some power
Or spell had bound me- 'twas the chilly wind
Came o'er me in the night, and left behind
Its image on my spirit- or the moon
Shone on my slumbers in her lofty noon
Too coldly- or the stars- howe'er it was
That dream was as that night-wind- let it pass.
Dreams! in their vivid coloring of life,
As in that fleeting, shadowy, misty strife
Of semblance with reality, which brings
To the delirious eye, more lovely things
Of Paradise and Love- and all our own!
As others were--I have not seen
As others saw--I could not bring
My passions from a common spring. From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I lov'd, I lov'd alone. Then--in my childhood--in the dawn
From ev'ry depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that 'round me roll'd In its autumn tint of gold--
From the lightning in the sky
As it passed me flying by--
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest Heaven was blue)
Of a demon in my view.
Campo, chinês e sono
A João Cabral de Melo Neto
O chinês deitado
no campo. O campo é azul,
roxo também. O campo,
o mundo e todas as coisas
têm ar de um chinês
deitado e que dorme.
Como saber se está sonhando?
O sono é perfeito. Formigas
crescem, estrelas latejam,
peixes são fluidos.
E árvores dizem qualquer coisa
que não entendes. Há um chinês
dormindo no campo. Há um campo
cheio de sono e antigas confidências.
Debruça-te no ouvido, ouve o murmúrio
do sono em marcha. Ouve a terra, as nuvens.
O campo está dormindo e forma um chinês
de suave rosto inclinado
no vão do tempo.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Del amor navegante
Porque no está el Amado en el Amante
Ni el Amante reposa en el Amado,
Tiende Amor su velamen castigado
Y afronta el ceño de la mar tonante.
Llora el Amor en su navío errante
Y a la tormenta libra su cuidado,
Porque son dos: Amante desterrado
Y Amado con perfil de navegante.
Si fuesen uno, Amor, no existiría
Ni llanto ni bajel ni lejanía,
Sino la beatitud de la azucena.
¡Oh amor sin remo, en la Unidad gozosa!
¡Oh círculo apretado de la rosa!
Con el número Dos nace la pena.
Do amor navegante
Porque não está o Amado no Amante
Nem o Amante repousa no Amado,
Estende o Amor suas velas castigadas
E afronta a face do mar trovejante.
Chora o Amor em seu navio errante
E à tormenta livra seu cuidado,
Porque são dois: Amante desterrado
E Amado com perfil de navegante.
Se fossem um, Amor, não existiria
Nem pranto nem navio nem distância
Apenas a beatitude da açucena.
Ó amor sem remo, na Unidade gozosa!
Ó círculo apertado da rosa!
Com o número Dois nasce a pena.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Final Del Año
Jorge Luís Borges
Ni el pormenor simbólico
de reemplazar un tres por un dos
ni esa metáfora baldía
que convoca un lapso que muere y otro que surge
ni el cumplimiento de un proceso astronómico
aturden y socavan
la altiplanicie de esta noche
y nos obligan a esperar
las doce irreparables campanadas.
La causa verdadera
es la sospecha general y borrosa
del enigma del Tiempo;
es el asombro ante el milagro
de que a despecho de infinitos azares,
de que a despecho de que somos
las gotas del río de Heráclito,
perdure algo en nosotros:
inmóvil.
Final do ano
Nem o pormenor simbólico
de substituir um dois por um três
nem essa metáfora baldia
que convoca um lapso que morre e outro que surge
nem o cumprimento de um processo astronômico
aturdem e minam
o planalto desta noite
e nos obrigam a esperar
as doze irreparáveis badaladas.
A causa verdadeira
é a suspeita geral e apagadora
do enigma do Tempo;
é o assombro ante o milagre
de que a despeito de infinitos azares,
de que a despeito de que somos
as gotas do rio Heráclito,
perdure algo em nós:
imóvel.
domingo, 16 de setembro de 2012
For my father
Paul Potts
I think a time will come when you will understand
That I wass forced to try and fly and learn to sing
And the because I fell, echoless, between dark rocks
Is of itself no proof that if I had not run away
I would have grown strong and added to
The long tradition of you and your quiet sires.
Remember too, that this emigrating is of itself
Part of your own long silent heritage.
Else, how sir, did you come to be American?
Acho que chegará o momento em que você vai entender
que fui forçado a tentar e voar e a aprender a cantar
e porque caí, sem eco, entre rochas escuras
não é por si prova de que se eu não tivesse fugido
teria crescido forte e contribuído para
a sua longa tradição e aos seus discretos progenitores.
Lembre-se, também, de que esta emigração é ela mesma
parte de sua longa herança.
De que outro modo, então, o senhor chegou a ser americano?
Paul Potts. Poeta inglês (1911-1990). Confira uma belíssima tradução ao espanhol em "La Biblioteca de Marcelo Leites"
terça-feira, 3 de julho de 2012
Poderoso cavalheiro é Dom Dinheiro
Francisco de Quevedo
Mãe, eu ao ouro me humilho,
ele é meu amante e meu amado,
e, de tão enamorado,
de contínuo anda amarelado;
e em fortunas ou trocados,
faz tudo quanto quero,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Nasce nas Índias honrado,
onde o mundo o acompanha;
vem morrer na Espanha,
e é em Gênova enterrado.
e ademais, quem o tem a seu lado
é formoso, embora seja feio,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
É galã e é como um ouro;
tem quebrada a cor,
pessoa de grande valor,
tão cristão quanto mouro;
pois dá e quita o decoro
e quebranta qualquer foro,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
São seus pais principais
e é de nobres, descendente
porque nas veias do Oriente
todos os sangues são Reais.
e, portanto, é quem torna iguais
ao rico e ao pedinte,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
E quem não se encanta
de ver em sua glória, sem taxa,
o que é o pior de sua casa
dona Blanca de Castilla?
Mas eis que sua força humilha
ao covarde e ao guerreiro,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Seus escudos de armas nobres
são sempre tão principais,
que sem seus escudos reais
não há escudos de armas duplas;
e pois às mesmas duras
da cobiça seu mineiro,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Por importar nos tratos
e dar tão bons conselhos
nas casas dos velhos
gatos lhe guardam de gatos;
e assim ele rompe recatos
e abranda ao juiz mais severo,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
É tanta sua majestade,
que, embora sejam seus duelos fartos,
ele, ainda tendo esquartejado
não perde sua qualidade.
mas, com certeza, dá autoridade
ao camponês e ao jornaleiro,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Nunca vi damas ingratas
ao seu gosto e afeição,
que às caras com um dobrão
fazem suas caras baratas;
e assim faz as bravatas
de uma bolsa de couro,
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Mais valem em qualquer terra
(vejam se não é realmente sagaz)
seus escudos na paz,
que escudos na guerra;
pois ao nativo desterra
e faz nativo o forasteiro.
poderoso cavalheiro
é dom Dinheiro.
Poderoso caballero es don DineroFrancisco de Quevedo
Madre, yo al oro me humillo,
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado
de continuo anda amarillo;
que pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Nace en las Indias honrado
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso aunque sea fiero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Es galán y es como un oro;
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Son sus padres principales,
y es de noble descendiente,
porque en las venas de oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Mas ¿a quién no maravilla
ver en su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al bajo silla,
y al cobarde hace guerrero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismos robles
da codicia su minero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues él rompe recatos
y ablanda al jüez más severo,
poderoso caballero
es don Dinero.
Y es tanta su majestad,
aunque son sus duelos hartos,
que con haberle hecho cuartos,
no pierde su autoridad;
pero, pues da calidad
al noble y al pordiosero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y pues hace las bravatas
desde una bolsa de cuero,
poderoso caballero
es don Dinero.
Más valen en cualquier tierra
mirad si es harto sagaz,
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra;
y pues al pobre le entierra
y hace propio al forastero,
poderoso caballero
es don Dinero.
domingo, 24 de junho de 2012
A chuva
Jorge Luis Borges
Bruscamente tem a tarde se iluminado
Porque já cai a chuva minuciosa.
Cai ou caiu. A chuva é uma coisa
que sem dúvidas acontece no passado.
Quem a ouve cair, terá recordado
o tempo em que a sorte venturosa
lhe revelou uma flor chamada rosa
e a curiosa cor do avermelhado.
Esta chuva que cega os cristais
Alegrará em perdidos confins
as negras uvas de uma parreira em certo
pátio que já não existe. A molhada
tarde me traz a voz, a voz desejada,
de meu pai que volta e que não está morto.
La Lluvia
Jorge Luis Borges
Bruscamente la tarde se ha aclarado
porque ya cae la lluvia minuciosa.
Cae o cayó. La lluvia es una cosa
que sin duda sucede en el pasado.
Quien la oye caer ha recobrado
el tiempo en que la suerte venturosa
le reveló una flor llamada rosa
y el curioso color del colorado.
Esta lluvia que ciega los cristales
alegrará en perdidos arrabales
las negras uvas de una parra en cierto
patio que ya no existe. La mojada
tarde me trae la voz, la voz deseada,
de mi padre que vuelve y que no ha muerto.
Jorge Luis Borges, In: “El hacedor”, 1960.
domingo, 6 de maio de 2012
Eu fui
Luis Cernuda
Eu fui.
Coluna ardente, lua de primavera.
Mar dourado, olhos grandes.
Busquei o que pensava;
pensei, com o amanhecer em solo lânguido,
o que pinta o desejo em dias adolescentes.
Cantei, subi,
fui luz um dia
arrastado na chama.
Como um golpe de vento
que desfaz a sombra,
caí no negro,
num mundo insaciável.
Tenho sido.
Yo fui...
Yo fui.
Columna ardiente, luna de primavera.
Mar dorado, ojos grandes.
Busqué lo que pensaba;
pensé, como al amanecer en sueño lánguido,
lo que pinta el deseo en días adolescentes.
Canté, subí,
fui luz un día
arrastrado en la llama.
Como un golpe de viento
que deshace la sombra,
caí en lo negro,
en el mundo insaciable.
He sido.
sábado, 1 de outubro de 2011
El verano
Estava tão absorta diante do mundoQue não senti como voava o tempoSempre adiante com suas duras garrasCarregadas de sucessos e momentos,Falcão imperturbável me levavaTambém a mim, a jovem e inocente.E quis me deter, mas não pudeA escura cabeleira me filtraA geada dos frios inclementes,Escrava de seus passos sempre andeiEm busca do verão que é minha pátriaComo não posso encontra-lo me pusA chorar. Já não sou senão uma apátrida.
domingo, 18 de setembro de 2011
Botella al mar
El mar un azarVicente Huidobro
Garrafa ao marMario BenedettiO mar um azarVicente HuidobroColoco estes seis versos em minha garrafa ao marcom o secreto desígnio de que algum diachegue a uma praia quase desertae um menino a encontre e a destampee no lugar de versos extraia pedrinhase socorros e alertas e caracóis.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
What happened in my birth year?
There was no Google yet. Or Yahoo.
In 1976, the year of your birth, the top selling movie was Rocky. People buying the popcorn in the cinema lobby had glazing eyes when looking at the poster.
Remember, that was before there were DVDs. People were indeed watching movies in the cinema, and not downloading them online. Imagine the packed seats, the laughter, the excitement, the novelty. And mostly all of that without 3D computer effects.
Do you know who won the Oscars that year? The academy award for the best movie went to Rocky. The Oscar for best foreign movie that year went to Black and White in Color. The top actor was Peter Finch for his role as Howard Beale in Network. The top actress was Faye Dunaway for her role as Diana Christensen in Network. The best director? John G. Avildsen for Rocky.
In the year 1976, the time when you arrived on this planet, books were still popularly read on paper, not on digital devices. Trees were felled to get the word out. The number one US bestseller of the time was Trinity by Leon Uris. Oh, that's many years ago. Have you read that book? Have you heard of it? Look at the cover!
In 1976... the first commercial Concorde flight takes off. The trial against jailed members of the Red Army Faction begins in Stuttgart, West Germany. The United States vetoes a United Nations resolution that calls for an independent Palestinian state. Western Sahara declares independence. General Murtala Mohammed of Nigeria is assassinated in a military coup. The first 4.6 miles of the Washington Metro subway system opens. Apple Computer Company is formed by Steve Jobs and Steve Wozniak. As a measure to curb population growth, the minimum age for marriage in India is raised to 21 years for men and 18 years for women. The Eurovision Song Contest 1976 is won by Brotherhood of Man, representing the United Kingdom, with their song Save Your Kisses for Me. The chimes of Big Ben stopped when part of the chiming mechanism disintegrated through metal fatigue. The Viking 2 spacecraft lands at Utopia Planitia on Mars, taking the first close-up color photos of the planet's surface. The video game of the day was Breakout.
That was the world you were born into. Since then, you and others have changed it.
The Nobel prize for Literature that year went to Saul Bellow. The Nobel Peace prize went to Betty Williams and Mairead Corrigan. The Nobel prize for physics went to Burton Richter and Samuel Chao Chung Ting from the United States for their pioneering work in the discovery of a heavy elementary particle of a new kind. The sensation this created was big. But it didn't stop the planets from spinning, on and on, year by year. Years in which you would grow bigger, older, smarter, and, if you were lucky, sometimes wiser. Years in which you also lost some things. Possessions got misplaced. Memories faded. Friends parted ways. The best friends, you tried to hold on. This is what counts in life, isn't it?
The 1970s were indeed a special decade. Women's liberation continued. The hippie culture faded. There was an opposition to the Vietnam war, and nuclear weapons. The environmentalist movement began. Tom Wolfe coined the decade the "Me decade" due to a new self-awareness. Mao Zedong died and the market began to liberate in China. There was an oil crisis. After the first oil shock, gasoline was rationed in many countries. In Eastern Europe, Soviet-style command economies begin showing signs of stagnation. The Summer Olympics in Munich, Germany, witness the kidnapping and murder of Israeli athletes by Palestinian Arab terrorists. The Soviet Union invaded Afghanistan. The Who, Pink Floyd, The Eagles, Bee Gees, Abba and others play their music. Jimi Hendrix, Janis Joplin and Jim Morrison all die at the age of 27. The space mission Apollo 13 nearly ends in disaster. Egypt signed the Egyptian-Israeli peace treaty. There was a revolution in Iran. The world sees its first general microprocessor. The C programming language makes its debut. Consumer video games show up on the scene. Microwave ovens become commercially available. Margaret Thatcher was victorious in the UK elections.
Do you remember the movie that was all the rage when you were 15? The Silence of the Lambs. Do you still remember the songs playing on the radio when you were 15? Maybe it was I've Been Thinking About You by Londonbeat. Were you in love? Who were you in love with, do you remember?
In 1976, 15 years earlier, a long time ago, the year when you were born, the song Don't Go Breaking My Heart by Elton John and Kiki Dee topped the US charts. Do you know the lyrics? Do you know the tune? Sing along.
You take the weight off me
Honey when you knock on my door
I gave you my key
Nobody knows it
When I was down
I was your clown
Nobody knows it
Right from the start
I gave you my heart
I gave you my heart
...
There's a kid outside, shouting, playing. It doesn't care about time. It doesn't know about time. It shouts and it plays and thinks time is forever. You were once that kid.
When you were 9, the movie Return to Oz was playing. When you were 8, there was The Karate Kid. When you were 7, there was a Disney movie out called The Fox and the Hound. Does this ring a bell?
6, 5, 4, 3, 2, 1... it's 1976. There's TV noise coming from the second floor. Someone turned up the volume way too high. The sun is burning from above. These were different times. The show playing on TV is The Bionic Woman. The sun goes down. Someone switches channels. There's Laverne & Shirley on now. That's the world you were born in.
Progress, year after year. Do you wonder where the world is heading towards? The technology available today would have blown your mind in 1976. Do you know what was invented in the year you were born? The Gore-Tex Fabric. Perpendicular Recording. Polyphony.
We better keep all remembering this land now.
This land full of people bent
On gettin' their kicks Lord, Lord.
I think we all better pick up the sticks.
In 1976.
...
That's from the song 1976 by Grand Funk Railroad.
In 1976, a new character entered the world of comic books: Captain Britain. Bang! Boom! But that's just fiction, right? In the real world, in 1976, Melissa Joan Hart was born. And Scott Caan. Colin Farrell, too. And you, of course. Everyone an individual. Everyone special. Everyone taking a different path through life.
It's 2010.
The world is a different place.
What path have you taken?
Fonte: http://whathappenedinmybirthyear.com/
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Não estou lá

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Radiohead, lista dos 5 mais
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
The Nightmare Before Christmas - O poema original

domingo, 2 de novembro de 2008
How to disappear completely
Thats not me
I go
Where I please
I walk through walls
I float down the liffey
Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here
In a little while
Ill be gone
The moments already passed
Yeah its gone
And Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here
Strobe lights and blown speakers
Fireworks and hurricanes
Im not here
This isnt happening
Im not here
Im not here
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Merda acontece!
Taoísmo: merda acontece.
Confucionismo: Confúcio diz, “merda acontece”.
Budismo: se merda acontece, não é realmente uma merda.
Budismo Zen: merda é, e não é.
Budismo Zen 2: qual é o som da merda acontecendo?
Hinduismo: esta merda já aconteceu antes.
Islamismo: se merda acontece, é porque é a vontade de Alá.
Islamismo2: se merda acontece, mate a pessoa responsável.
Islamismo3: se merda acontece, a culpa é de Israel.
Catolicismo: se merda acontece, é porque você mereceu.
Protestantismo: deixe que a merda aconteça a outra pessoa.
Presbiterianos: esta merda tinha que acontecer.
Episcopais: não é tão ruim que a merda aconteça, desde que você sirva o vinho certo com ela.
Metodistas: não é tão ruim que a merda aconteça, desde que você sirva suco de uva com ela.
Luteranos: se a merda acontecer, não fale a respeito.
Fundamentalismo: se merda acontecer, você vai para o inferno, a não ser que você nasça novamente. (Amém!)
Fundamentalismo 2: se a merda acontecer para um cristão, está tudo bem.
Fundamentalismo 3: a merda deve renascer.
Judaísmo: por que essa merda acontece sempre com a gente?
Calvinismo: a merda acontece porque a gente não trabalha.
Adventistas do sétimo dia: merda nenhuma acontecerá no sábado.
Criacionismo: Deus fez toda a merda.
Humanismo secular: a merda se desenvolve.
Ciência cristã: quando a merda acontecer, não chame um médico: reze!
Ciência cristã 2: a merda que acontece está apenas em sua mente.
Unitarismo: vamos juntos pensar nessa merda.
Quakers: não briguemos por essa merda.
Utopistas: está merda não fede.
Darwinistas: está merda um dia já foi comida.
Capitalismo: esta é a MINHA merda.
Comunismo: a merda é de todos.
Feminismo: homens são a merda.
Chovinistas: podemos ser uma merda, mas vocês não vivem sem a gente...
Comerciantes: vamos embalar essa merda.
Impressionismo: à distância, a merda parece um jardim.
Idólatra: a merda merece uma estátua de bronze.
Existencialismo: a merda não acontece; a merda É.
Existencialismo 2: o que é merda, afinal?
Estóico: esta merda é boa para mim.
Hedonismo: nada é melhor que uma boa merda acontecendo.
Mórmons: Deus nos enviou esta merda!
Mórmons: esta merda vai acontecer de novo.
Wicca: se não fizer mal a ninguém, deixe que a merda aconteça.
Cientologia: se a merda acontecer, leia a página 157 da “Dianética”.
Testemunhas de Jeová: toc, toc, merda acontece.
Testemunhas de Jeová 2: poderíamos tomar um pouquinho do seu tempo para mostrar um pouco na nossa merda?
Testemunhas de Jeová 3: a merda foi profetizada, apenas os justos e escolhidos sobreviverão.
Hare krishna: merda acontece, rama rama.
Rastafaris: vamos fumar essa merda.
Zoroastrismo: a merda acontece a metade do tempo.
Práticos: lide com a merda um dia por vez.
Agnósticos: a merda pode ter acontecido; ou talvez não.
Agnósticos 2: alguém fez merda?
Agnósticos 3: que merda é essa?
Ateísmo: que merda?
Ateísmo 2: não acredito nessa merda.
Satanismo: ECETNOCA ADREM.
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